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Projeto SOAR

Potente para ver o nascimento de galáxias

Tradicionalmente, o critério utilizado pelos astrônomos para cálculo da “potência”, ou da capacidade do sistema óptico de um telescópio para obter imagens de alta qualidade, dependia apenas do tamanho do espelho primário. Quanto maior fosse esse espelho, menor seria o tempo de exposição à luz necessário para a formação de uma boa imagem de uma estrela, de uma galáxia ou de outro corpo celeste em estudo. Hoje, com a introdução da tecnologia de óptica ativa e adaptativa, que tornou possível controlar eletronicamente os espelhos e eliminar distorções, a resolução das imagens obtidas cresceu muito e adquiriu importância fundamental para a observação dos astros. A resolução é um ângulo que determina a definição da imagem e é medida em segundos de arco, ou segundos de grau, uma unidade equivalente a um 3.600 avos de um grau.

Durante a última década, os avanços tecnológicos introduzidos na óptica dos telescópios expandiram os horizontes dos cientistas, permitindo a realização das pesquisas de ponta hoje em andamento. No passado, os equipamentos só tinham capacidade para observar os corpos celestes mais brilhantes, mas à medida em que a qualidade das imagens cresceu com o aperfeiçoamento dos aparelhos, corpos quase invisíveis, com brilho praticamente igual ao do céu, puderam ser investigados e surgiram novas revelações sobre o Universo.

Na comparação entre os sistemas ópticos de alguns importantes observatórios do mundo segundo sua rapidez na obtenção de imagens de boa qualidade (resultado da razão entre a resolução e o diâmetro do espelho primário), o SOAR leva uma enorme vantagem. O telescópio do LNA tem 1 m2 por segundo de arco2, o do Monte Palomar tem 25 m² por segundo de arco², e o Hubble – que até aqui foi considerado o maior telescópio dos últimos quarenta anos – tem 625. No SOAR, a rapidez é de 1.600 m² por segundo de arco², o que confere a seu sistema óptico uma capacidade científica 1.600 vezes superior à do LNA, e torna possível captar a luz de estrelas no momento em que elas passam a existir.

Outros observatórios ainda podem ser tomados como referência para melhor compreender a grande contribuição que o SOAR vai trazer à Astronomia. Ele será superior ao Blanco, também localizado no norte do Chile, que durante os últimos 25 anos foi considerado o melhor do Hemisfério Sul por sua rapidez na obtenção de imagens (comparável à do Monte Palomar), e ao Keck, no Havaí, em que a função de captar a luz de corpos celestes é distribuída por 36 espelhos. Ainda que a tecnologia da óptica ativa esteja presente no sistema óptico deste observatório, suas imagens não têm a mesma qualidade que o espelho do SOAR poderá oferecer.

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