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Carta do editor | 40

Apoio abrangente e multifacetado à pesquisa em São Paulo

A FAPESP desenvolveu há anos a convicção de que investimentos em ciência, básica ou aplicada, e em tecnologia, áreas cujas fronteiras tantas vezes aparecem difusas, com um campo interpenetrando o outro, são igualmente fundamentais para o desenvolvimento do país.

Esta Fundação também há alguns anos vem trabalhando coma certeza de que a capacitação de novos pesquisadores em áreas estratégicas da ciência e da tecnologia, por meio de seu trabalho direto em avançados projetos de pesquisa, de alto significado científico, é capaz de produzir retornos de crucial importância para a sociedade brasileira.

Assim, o que tem norteado os investimentos da FAPESP é uma visão complexa e abrangente, mais que isso, dinâmica, do que entendemos como fomento à pesquisa científica e tecnológica. Pois bem, esta edição do Notícias FAPESP é um exemplo disto, na pequena amostra que oferece desse caráter amplo e multifacetado do apoio da Fundação ao desenvolvimento científico e tecnológico no Estado de São Paulo.

Assim, damos notícia de duas novas iniciativas de peso – o programa Biota-FAPESP e o projeto Genoma Humano do Câncer -, capazes de efetivamente impulsionar a pesquisa paulista até o patamar dos centros internacionais mais avançados. O segundo, para resumir, lança o Brasil na corrida internacional pelo conhecimento do genoma humano, e o faz apresentando à comunidade científica internacional nada menos que um novo método de seqüenciamento rápido de genes que realmente importam, dentro do genoma, para compreendê-lo. O Biota-FAPESP, enfatizando o trabalho de cooperação entre cientistas, em larga escala, na medida em que deverá envolver de imediato cerca de 200 deles, vai atuar num campo essencial de defesa da vida na Terra: a preservação ambiental. Trata-se de levantar a fauna, a flora e os microorganismos que ocorrem no Estado de São Paulo, obter novos conhecimentos a seu respeito e propor mecanismos para sua proteção.

Como exemplo do apoio da Fundação à ciência aplicada, estamos apresentando os resultados de um projeto temático sobre mastite bovina. Ele vai muito além do estudo científico da doença, seus agentes e tratamentos, para chegar até um programa de cursos em propriedades rurais, destinado a veterinários e trabalhadores rurais, com o objetivo de ajudar no controle da mastite, que tem um impacto negativo pesado sobre a pecuária nacional.

Enveredamos também nesta edição por dois belos exemplos de projetos de inovação tecnológica apoiados pela Fundação: no primeiro, resultado de parceria entre pesquisadores da Politécnica da USP e da Companhia Brasileira de Alumínio, chegou-se a uma tecnologia nacional de obtenção do gálio a partir dos resíduos da produção de alumínio. Ressalte-se que o gálio tem um valor de mercado duas mil vezes maior que o do alumínio. No segundo projeto, denominado Prumo, que também envolve parceria, neste caso entre o IPT e o SEBRAE, unidades móveis de tecnologia estão levando às pequenas empresas novas possibilidades de aperfeiçoamento de seus processos e produtos.

Atestado de versatilidade dos financiamentos da FAPESP, quanto às áreas que cobre, aparece em reportagem sobre um projeto de pesquisa relativo a uma nova técnica de interpretação teatral, baseada na observação direta da realidade pelo ator.

E finalmente, fiel às suas origens, embora tanto tenha caminhado e aberto o leque das linhas de apoio garantidas à pesquisa científica e tecnológica, a FAPESP continua a financiar a ciência básica, como mostra reportagem sobre uma pesquisa referente ao controle da distribuição de cálcio nas células do músculo cardíaco.

Acreditamos que a partir deste material cada um pode refletir profundamente sobre as atuais práticas da FAPESP, que se tornaram mais abertas, respondendo às exigências contemporâneas de um financiamento inteligente da pesquisa, mas preservando sempre o compromisso histórico dessa instituição com o efetivo desenvolvimento científico e tecnológico do Estado de São Paulo.

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