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Fibras ópticas

A Revolução da Ciência

A partir de 1996, ao longo do desenvolvimento da manta de fibras ópticas, Cícero Lívio Omegna de Souza Filho notou que o contato com os orientadores do projeto – o médico Fernando Facchini, o físico Geraldo Mendes e o engenheiro João Plaza – mudou o comportamento dos funcionários e a rotina da Komlux. “Foi uma revolução”, diz ele.

Com os financiamentos aprovados inicialmente pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e em seguida pela FAPESP, tomou forma o departamento de pesquisa e desenvolvimento, hoje consistente, ocupando oito dos 24 funcionários da empresa. Preocupados em acompanhar os projetos, os integrantes da equipe constataram que era hora de voltar a estudar. E os colegas dos outros setores os acompanharam.

Wagner Hermes Rodrigues, de 20 anos, após três anos sem estudar, voltou ao ensino médio, antigo segundo grau. Ana Lúcia Lourenço, também de 20 anos, está no segundo grau, atenta à universidade. Anderson Deitos, com a mesma idade, passou no vestibular e entrou no curso de Análise de Sistemas da Faculdade IPEP, inaugurada em 1998 em Campinas. Raquel Martins, de 26 anos, que também tinha parado de estudar, voltou e agora cursa o terceiro ano de Pedagogia na PUCC. O interesse por cursos de menor duração, sobre programas de computadores ou sobre mecânica de precisão, tornou-se comum.

“O pessoal da produção, acostumado à rotina, foi descobrindo a Ciência”, conta Plaza. A preocupação em fazer bem feito e rever continuamente os procedimentos e os resultados, típica dos cientistas, espalhou-se também por outros setores. Omegna Filho conta que até mesmo as compras de materiais tornaram-se mais rigorosas, aplicando os cuidados exigidos nas encomendas de componentes para o desenvolvimento dos produtos com fibras ópticas. “Após dois anos de arrumação, temos uma gerência mais profissional e menos intuitiva”, diz.

Segundo ele, a empresa somou a partir de 1996 o reconhecimento da área médica ao respaldo que já contava na manutenção de equipamentos industriais de fibra óptica. “Houve ganhos de produtividade e de eficiência, que estão nos empurrando à exportação. Segundo ele, o primeiro embarque de cabos de fibras ópticas de uso odontológico para a Argentina, realizado no início de julho, deve render US$ 10 mil. A metamorfose traduz-se também no faturamento, que passou da faixa dos R$ 20 a R$ 30 mil por mês em meados dos anos 80 para a casa do R$ 100 mil, atualmente. “Estamos há três meses crescendo sem parar.”

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