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GENOMA HUMANO

O fim e o começo de uma longa jornada

Três especialistas avaliam a importância do seqüenciamento do genoma humano

No dia 26 de junho, simultaneamente em Washington e Londres, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, anunciaram a finalização do mapeamento do genoma humano pelos dois grupos rivais empenhados na tarefa: o consórcio público internacional Projeto Genoma Humano, coordenado por Francis Collins, diretor dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, e a empresa privada norte-americana Celera Genomics, de Craig Venter.

O feito foi notícia no mundo inteiro e comparado por Clinton, do ponto de vista do seu impacto no conhecimento, à descoberta da América e à chegada do ser humano à Lua. Para os cientistas, algo que deverá revolucionar a Medicina no futuro, mas que, por enquanto, é só o começo de uma longa jornada na tentativa de aprender a ler um livro, do qual se tem apenas as letras e palavras.

De qualquer forma, o anúncio do mapeamento já deflagrou o acirramento do debate sobre se os genes devem ser patenteados ou ser públicos, isto é, colocados à disposição de cientistas de todo o mundo. Outras questões complexas e relevantes na área da bioética também deverão dominar a cena, nos próximos anos.

Pesquisa FAPESP pediu a três especialistas que escrevessem sobre o mapeamento do genoma humano e seus desdobramentos, de diferentes ângulos: André Goffeau, pesquisador do Instituto Curie, de Paris, coordenador do primeiro projeto de seqüenciamento de um organismo complexo, a levedura, realizado por uma rede de laboratórios europeus, e supervisor internacional do Projeto Genoma Xylella, destacou a necessidade do domínio público da informação genética.

Marco Antônio Zago, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e coordenador de um dos centros de seqüenciamento do Projeto Genoma Humano do Câncer, escreveu sobre a era pós-genômica e o Brasil; enquanto o geneticista Francisco Mauro Salzano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tratou da evolução da genética e da genômica e seus novos desafios como Ciência.

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