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Cerco integrado a um inimigo poderoso

Centro de Pesquisa e Tratamento do Câncer vai utilizar informações geradas no Projeto Genoma Câncer

Dois institutos com longa tradição de pesquisa e tratamento do câncer, o Hospital do Câncer A. C. Camargo e o Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, constituiram o Centro Antonio Prudente de Pesquisa e Tratamento do Câncer. “Com o apoio da FAPESP, o Centro vai utilizar as informações geradas pelo Projeto Genoma Câncer para avançar na identificação de novos genes, buscar novas formas de diagnóstico e tratamento e desenvolver novas drogas”, explica Ricardo Renzo Brentani, diretor.

As mudanças que vêm ocorrendo na distribuição demográfica no Estado de São Paulo e o limitado avanço em relação à prevenção e terapia de tumores malignos indicam que, nas próximas décadas, o câncer será fator de grande impacto na saúde pública. Para enfrentar essa situação, a idéia dos pesquisadores do Centro é desenvolver formas de combater o câncer segundo uma abordagem multidisciplinar e integrada, onde a pesquisa é a principal componente. A prevenção, o diagnóstico e o tratamento serão focos para as três principais áreas de atuação: a pesquisa, a educação e a transferência do conhecimento científico.

O hospital já tem uma marca de cura de 66%. “E só não é maior porque o paciente procura o tratamento quando a doença já está bastante desenvolvida. Só avançaremos com os benefícios da pesquisa básica se conseguirmos tratar pacientes com doença primária”, diz Brentani. Outro foco de trabalho do Centro será a prevenção da doença. Segundo Brentani, pelo menos 75% dos tumores têm causas conhecidas: 35% decorrem do consumo de cigarros, 15% do uso de álcool, 10% são causados por vírus, como a hepatite ou o papiloma vírus, e 15% são hereditários. E, neste último caso, já existem metodologias de laboratório para avaliar os riscos de hereditariedade.

A idéia é realizar uma ampla campanha com a população, por meio de vídeos e CDs, para informar sobre as situações de risco. “Já fizemos experiências isoladas, promovendo cursos para professores da rede pública com a intenção de massificar as informações sobre a doença. Agora será possível informar a população de que não adianta fugir do diagnóstico. Isso só reduz suas chances de cura, que são grandes com a identificação precoce do câncer.”

O Centro pretende ainda intensificar a atuação da rede feminina de voluntárias, responsáveis por cursos dirigidos à comunidade leiga, e ampliar os cursos de pós-graduação, doutorado e de especialização no diagnóstico e tratamento da doença. “Nas 90 escolas médicas existentes no País, não mais que 20 ensinam cancerologia na graduação. A falta de informação aumenta a mortalidade e os custos para o Estado”, revela Brentani. De acordo com especialistas internacionais responsáveis pela avaliação da proposta, os resultados das pesquisas terão repercussão na implementação de políticas públicas. “Não há dúvidas de que as informações que serão obtidas com a análise do genoma humano vão suscitar uma série de questões que devem ter respostas em políticas públicas adequadas.”

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