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distúrbios do sono

Por uma melhor qualidade do sono

Centro de Estudos do Sono investirá no desenvolvimento de novas tecnologias

Na década de 70, por iniciativa de um grupo de pesquisadores do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), tiveram início os estudos sobre o distúrbio do sono no Brasil, antes mesmo da primeira classificação internacional da doença. Esses estudos fizeram parte da primeira leva de projetos temáticos aprovados pela FAPESP. Atualmente, a equipe multidisciplinar, composta por 12 doutores, conta com dois laboratórios para o desenvolvimento de pesquisas básicas nas áreas de pediatria, neuropsiquiatria e doenças respiratórias, 26 apartamentos para exames clínicos, além de desenvolver programas de formação profissional.

Com o apoio da FAPESP, o Centro de Estudos do Sono pretende ampliar as suas atividades e investir no desenvolvimento de tecnologia para produzir, em parceria com a iniciativa privada, aparelhos como o CPAP, que injeta ar com pressão contínua nas narinas, produzido no Canadá. Sérgio Tufik, diretor do Centro, quer desenvolvê-lo aqui, em parceria com os canadenses. Outro equipamento é um aparelho oral para o deslocamento da mandíbula. Ambos são utilizados no tratamento da apnéia. Na avaliação de especialista que compôs a banca julgadora do projeto, “a experiência do grupo na interação com a indústria privada é razoável e tende a se consolidar. O grupo tem a nítida percepção do mercado que é emergente, neste caso”.

Os distúrbios do sono têm um custo social alto. “Somos campeões em acidentes de tráfego, cujas maiores causas são o álcool e o sono. E a maior parte dos acidentes de ônibus ocorre porque o motorista dormiu na direção”, revela Sergio Tufik. Com o apoio da FAPESP, o Centro vai realizar polissonografias em 300 motoristas de uma empresa de ônibus. A polissonografia avalia as condições respiratórias, cardiológicas e neurológicas do paciente durante o sono. “Se ele tiver apnéia, que é a parada respiratória noturna, terá sonolência durante o dia. Tem que se tratar.” A apnéia e o ronco são distúrbios que atingem pelo menos 40% da população masculina. “As pesquisas revelam que as pessoas que roncam morrem entre 60 e 70 anos porque têm oximetria menor e baixo nível de saturação, o que sobrecarrega o coração”, afirma Tufik. Essa dificuldade respiratória pode, muitas vezes, produzir arritmia cardíaca.

“Tem muita gente com marcapasso que poderia ter o seu problema resolvido com CPAP.” Entre as mulheres, o distúrbio mais freqüente é a insônia, que acaba por resultar no uso, e abuso, de benzodiazepínicos, que causam dependência. “De cada três medicamentos vendidos no Brasil, um é psicotrópico e, entre esses, o segundo mais vendido são os benzodiazepínicos. Existem outros métodos, como a medicina comportamental ou o bio feedback, que ajudam a resolver o problema”, diz Tufik. Com o objetivo de esclarecer a população sobre os distúrbios mais freqüentes do sono, o Centro pretende realizar uma ampla campanha com informações sobre os efeitos da doença e dos tratamentos adequados.

Além dapesquisa básica, do desenvolvimento de tecnologia nacional e de campanhas populares, o Centro vai investir na formação de especialistas em distúrbios do sono. “Há mais de 130 laboratórios de sono no Brasil, mas as faculdades não estão preparadas para ensinar. Só a Unifesp, antiga Escola Paulista de Medicina, tem curso de especialização, além de mestrado e doutorado nessa matéria. Estamos preparando professores para formar profissionais.”

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