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INFRA-ESTRUTURA

Pesquisa em crescimento

Governo federal cria redes regionais para mapear bactérias e fungos

O governo federal vai investir R$ 26 milhões na instalação de Redes Regionais do Projeto Genoma Brasileiro. Anunciado em 25 de abril, o programa reúne sete projetos de seqüenciamento de códigos genéticos de microrganismos causadores de doenças, como o mal de Chagas, e de bactérias e fungos, responsáveis por pragas como a vassoura-de-bruxa, que afeta a produção de cacau, na Bahia.

Os projetos serão desenvolvidos por 240 pesquisadores das regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, integrando laboratórios de biologia molecular de universidades e institutos de pesquisas. Metade dos recursos para o programa será bancado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e o investimento restante será dividido entre os governos estaduais, universidades e a iniciativa privada. “O programa está dentro da perspectiva de ação do Ministério de Ciência e Tecnologia, de expandir o conhecimento e, na área de biotecnologia, foi escolhida a genômica”, diz Ana Lúcia Assad, coordenadora-geral de Biotecnologia da Secretaria de Políticas e Programas do MCT. Os convênios firmados entre o ministério e cada um dos sete grupos de pesquisa terão duração de quatro anos.

O programa tem objetivos semelhantes aos do Projeto Genoma Funcional, coordenado pela FAPESP, cuja meta é identificar genes responsáveis pela transmissão de doenças que têm forte impacto na área de saúde e no setor agrícola para, a partir daí, desenvolver novos medicamentos, indicar mecanismos de prevenção e oferecer alternativas para aumentar a produtividade na agricultura.

Com as Redes Regionais, o governo federal, na verdade, amplia o Programa Genoma Brasileiro, lançado em dezembro do ano passado, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), baseado no trabalho articulado de 25 laboratórios de biologia molecular de todo o país para o seqüenciamento da bactéria Chromobacterium violaceum, encontrada principalmente no Rio Negro, na região Amazônica.

Projetos
Quatro grupos de trabalho desenvolverão projetos na área de sáude. A Rede Genoma do Estado de Minas Gerais fará o mapeamento genético do Schistosoma mansoni, parasita responsável por infecção como a esquistossomose, doença que atinge 200 milhões de pessoas em todo o mundo. As pesquisas serão coordenadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).

O Programa Genoma do Nordeste (ProGeNe) ficará responsável pelo seqüenciamento de Leishmania chagasi, uma das três espécies responsáveis pela leishmaniose visceral, que afeta países de clima quente e temperado. O projeto será coordenado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O Projeto em Rede do Centro-Oeste, coordenado pela Universidade de Brasília (UnB), fará o estudo funcional e diferencial do Paracoccidioides brasiliensis, fungo causador da micose endêmica, conhecida como paracoccidioidomicose, comum na América Latina.

No Paraná, as pesquisas serão desenvolvidas por meio de um consórcio coordenado pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de Mogi das Cruzes, de São Paulo. O objetivo é desenvolver a genômica funcional do Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, por meio da seleção de novos genes e análise de novos alvos quimioterápicos.Três grupos de trabalho desenvolverão pesquisas voltadas para o setor agrícola. A Rede Genômica do Estado da Bahia vai seqüenciar o genoma do fungo Crinipellis perniciosa, causador da doença vassoura-de-bruxa. O projeto será coordenado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O Programa de Implantação da Rede Genoma do Estado do Rio de Janeiro, coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fará o mapeamento do genoma da bactéria Gluconacetobacter diazotrophicus, fixadora de nitrogênio.

O Programa Genoma do Estado do Paraná realizará o estudo do genoma estrutural e funcional da Herbaspirillum seropediae, bactéria fixadora de nitrogênio endofítica. O projeto será coordenado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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