PESQUISA INOVATIVA EM PEQUENAS EMPRESAS (PIPE)

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Imagem e som diretos do espaço

Proqualit desenvolve, no país, equipamento de TV por assinatura via satélite

ED. 68 | SETEMBRO 2001

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O ainda elitizado serviço de televisão paga por satélite poderá tornar-se mais acessível nos próximos anos graças a um projeto da Proqualit, empresa que recebe financiamento da FAPESP no âmbito do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE). A idéia foi desenvolver no país equipamentos de recepção de sinais de satélite para tevê, numa iniciativa pioneira para reduzir as importações que dominam o setor e baratear o custo inicial do produto para o consumidor.

Os primeiros conjuntos de antenas miniparabólicas e amplificadores de baixo ruído (Low Noise Block-LNBs) totalmente brasileiros devem chegar ao mercado até o final do ano, somando-se a 1,2 milhão de receptores residenciais de satélites já instalados no país. Além da nacionalização, os equipamentos desenvolvidos na sede da Proqualit, em São José dos Campos, deverão reduzir custos de implantação e de manutenção.

Fundada em 1991, a Proqualit começou com a montagem de placas de circuitos impressos. “Hoje, desenvolvemos cerca de 150 famílias de produtos para recepção, transmissão e distribuição de sinais de tevê para emissoras abertas e por assinatura”, informa o engenheiro eletrônico Alexandre Nunes da Trindade, diretor de desenvolvimento.A empresa recorreu à consultoria de pesquisadores e ex-pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos. Grande parte do projeto, contudo, foi desenvolvida pelos próprios técnicos e engenheiros da Proqualit.

Apoio decisivo
Para Trindade, o desenvolvimento desse equipamento não foi um caminho natural: “O apoio da FAPESP foi decisivo, porque, tecnicamente, trabalhar com esse tipo de freqüência de recepção de sinais é muito difícil (veja quadro abaixo). A empresa não poderia dispor de recursos próprios para dominar essa tecnologia e, com o projeto do PIPE, atingimos um salto na geração de conhecimento”.

O projeto começou no final de 1997. Primeiro, foi desenvolvido um sistema de recepção, amplificação e conversãodos sinais de tevê utilizados no Brasil pelas operadoras do sistema DTH (Direct to Home), hoje dominado pela Sky (Organizações Globo) e pela Direct TV (ex-grupo Abril e atual Galaxy Latin America).

Na segunda fase, a equipe técnica construiu o protótipo da placa de circuito impresso montada em uma caixa própria, ainda que provisória. Ela foi aprovada nos testes e a avaliação final será feita com o refletor parabólico, o amplificador de baixo ruído e mais o receptor. Falta, para a conclusão, o desenvolvimento da parte mecânica e ferramental da caixa onde estão acondicionados o receptor e o conversor.

“Esse produto só funciona em caixas adequadas, onde não exista vazamento de sinais. A caixa possui uma complexidade razoável e é nisso que trabalhamos no momento”, explica Trindade. No desenvolvimento da caixa também há absorção de tecnologia como a criação de ferramentas de produção que o Brasil ainda não tem tradição. Depois de acumular investimentos que chegam a R$ 700 mil, a finalização do projeto está prevista para novembro próximo.

Cliente antigo
A Proqualit já apresentou projeto de comercialização para as empresas que operam as televisões pagas por satélite. “Nós somos fornecedores de outros produtos para essas empresas”, conta Trindade. O mercado potencial dos canais de tevê por assinatura, incluindo os transmitidos por satélite (DTH), cabo e MMDS (Multipoint Multichanel Distribuition System), é estimado em 3,1 milhões de assinantes. Depois de certo período de estagnação, nota-se desde o final de 1999 significativa retomada de crescimento. Neste ano, o setor deve ter um crescimento de 20% e prevê-se a duplicação do número de assinantes para os próximos cinco anos.

Entre os fabricantes nacionais que produzem os receptores de satélite, mas importam o conjunto de antenas e amplificadores de baixo ruído (LNB), estão Gradiente, Philips e Century. O principal atrativo do equipamento da Proqualit deverá ser o custo final do produto. Ao promover a manufatura de antenas de custo mais baixo, a empresa pretende viabilizar o acesso à tevê por satélite também para a classe C.

Passo à frente
A partir desse novo equipamento, a empresa dá um salto tecnológico para desenvolver outros produtos de ponta, não só para o uso televisivo, como também para os novos serviços de telefonia sem fio. “Na prática, este é também um projeto estratégico para o futuro da empresa”, justifica. E exemplifica: “Nós desenvolvemos antenas para celular, que ocupam a faixa de 800 a 900 megahertz e agora trabalhamos com antenas para a faixa de 1,8 a 3 gigahertz”, adianta.

Essa última é utilizada para novas aplicações em telefonia sem fio, incluindo os celulares das bandas D e E (na faixa de 1,9 gigahertz), já em funcionamento na Europa e parte dos Estados Unidos. O uso dessa faixa permite o acesso à Internet por meio do televisor doméstico. Tudo indica, portanto, que cada vez mais antenas estarão no cenário do nosso dia-a-dia.

Sinais tão longe de casa

Para entender melhor a dificuldade técnica do projeto da Proqualit é preciso conhecer um pouco melhor as exigências da operação de uma recepção doméstica de um sinal de TV via satélite. O amplificador de baixo ruído, item principal do trabalho, é assim chamado porque tem a capacidade de receber sinais em níveis muito baixos.

Isso significa que ele capta sinais que quase se perdem junto ao ruído que normalmente existe no ar. E mais, ele consegue amplificar só o sinal e não amplificar o ruído. Não é bem uma filtragem: como o sinal está muito distante da Terra – o satélite fica numa órbita estacionária a cerca de 36 mil metros de altitude -, ele chega à superfície num nível muito baixinho, algo como menos 100 decibéis. Basicamente, o amplificador compõe-se do seguinte: primeiro há uma guia de onda em forma de corneta que recebe o sinal de microondas. É uma peça mecânica calculada para receber exatamente essa faixa de freqüência de 12,5 gigahertz.

Depois o sinal original vai para um mixer e para um oscilador. Este último gera uma freqüência muito próxima da original, enquanto o mixer vai fazer a mistura desses sinais, de forma que se obtenha, ao final, um sinal de, por exemplo, 100 MHz. Faz-se, na prática, a conversão e o tratamento de sinais de freqüência. O sinal resultante é então novamente amplificado para poder ser absorvido pelo receptor de canais por satélite que fica ao lado do televisor. Uma longa jornada para se livrar dos ruídos e ampliar o sinal de TV que vem do espaço.

O projeto
Amplificador de Baixo Ruído com Conversor de Freqüência em Banda KU (LNB-Low Noise Block) para Utilização com Refletor Parabólico (nº 97/13253-0); Modalidade Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe); Coordenador Alexandre Nunes da Trindade – Proqualit; Investimento R$ 175.700,00 e US$ 27.206,40

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