PESQUISA INOVATIVA EM PEQUENAS EMPRESAS (PIPE)

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Precisão no diagnóstico

Novo kit e processamento laboratorial permitem identificar parasitas com mais eficiência

ED. 81 | NOVEMBRO 2002

 

Kit completo: teste em quatro universidades

Microscópicas formas disputam diariamente os nutrientes consumidos por 52% da população brasileira, cerca de 88 milhões de pessoas, segundo dados divulgados no ano passado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). O estudo aponta que esses indivíduos carregam no intestino pelo menos uma espécie de parasito: protozoários (amebas, por exemplo) ou helmintos (vermes) responsáveis por desconforto ou cólica abdominal, anemia, cansaço e diarréia. Para detectar essas infecções parasitárias, os médicos recomendam três amostras de fezes, coletadas em dias alternados, e processadas separadamente pelos laboratórios. Esse procedimento demorado, muitas vezes, não é realizado pelo paciente. A solução para exames mais eficazes pode estar em um novo método, denominado TF-Test, que processa as três amostras em apenas uma etapa.

O TF-Test está em desenvolvimento na empresa Immunoassay, num projeto financiado pelo Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE), da FAPESP. Segundo Sumie Hoshino Shimizu, professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do projeto, a vantagem dessa técnica é concentrar as amostras, fazendo o diagnóstico mesmo nos casos mais difíceis, em que o indivíduo apresenta baixo grau de infestação. “Nos testes tradicionais, muitos casos dão resultados negativos falsos”, relata.

O produto é composto por um kit de diagnóstico com três tubos coletores para amostras fecais, que, quando entregues ao laboratório, são encaixados em um recipiente destinado a filtrar e centrifugar o material para análise. Os kits já foram testados em quatro laboratórios de diagnósticos de universidades paulistas. Na comparação com as técnicas mais usadas nos exames parasitológicos convencionais, os resultados apontaram que a nova técnica é superior aos métodos utilizados hoje e aos kits existentes no mercado.

Plásticos resistentes
A inovação e os ganhos não se limitam à economia proporcionada no processamento. Resinas foram testadas para que os frascos pudessem ser transportados sem que houvesse alteração no plástico, decorrente de reações provocadas pela solução de formalina, conservante escolhido para preservar durante dez dias o material coletado. A tampa, que fecha com um simples encaixe, inibe microvazamentos.

Sumie diz que o novo produto é importante para a saúde pública porque, ao dispensar a refrigeração por até dez dias, possibilita aos habitantes de localidades onde não há energia elétrica ter acesso a esses exames.

O Projeto
Desenvolvimento de Novos Kits Destinados ao Diagnóstico de Parasitoses Intestinais em Amostras Fecais (nº 99/06228-4); Modalidade Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE); Coordenadora Sumie Hoshino Shimizu – Immunoassay; Investimento R$ 386.265,60 e US$ 7.866,00


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