PROGRAMA DE APOIO À PESQUISA EM PARCERIA PARA INOVAÇÃO TECNOLÓGICA (PITE)

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Bons frutos do conhecimento

Natura quer projetos de pesquisa para aplicação em cosméticos

ED. 86 | ABRIL 2003

 

A Natura lançou, no dia 20 de março, um programa de incentivo à pesquisa com o objetivo de estimular a formação de competência em ciência e tecnologia aplicada a cosméticos e fitoterápicos. O programa — batizado de Natura Campus — se desenvolverá por meio de parcerias com fundações de fomento à pesquisa e laboratórios de universidades e institutos paulistas. “Queremos nos aproximar das universidades de forma estruturada e colaborar para transformar conhecimento em inovação”, afirmou Pedro Luiz Passos, presidente de Operações da empresa, a maior fabricante de cosméticos da América Latina. O primeiro edital do Natura Campus terá como tema a biodiversidade brasileira e será implementado em parceria com a FAPESP. Os pesquisadores interessados têm prazo até o dia 20 de maio para apresentar pré-proposta utilizando formulário disponível no site www.natura.net/salacientifica.

A equipe de pesquisadores e técnicos da Natura fará uma primeira avaliação das propostas, a partir de critérios estabelecidos pela empresa. Os projetos devem, obrigatoriamente, envolver pesquisa de ativos de origem vegetal da biodiversidade brasileira, com potencial para aplicação em produtos cosméticos. Os projetos selecionados serão submetidos à avaliação da FAPESP, no âmbito do Programa Parceira para a Inovação Tecnológica (PITE). O PITE, iniciado em 1994, apóia projetos de inovação tecnológica desenvolvidos em parceria por instituições de pesquisa e empresas instaladas no Estado. A FAPESP e as empresas dividem os custos do projeto. De acordo com José Fernando Perez, diretor-científico da FAPESP, 66 projetos estão em curso, com investimentos totais de R$ 70 milhões. “Neste Programa, a Fundação desempenha um papel de agente catalisador entre universidade e empresas”, explica Perez. “A produção científica não pode crescer sem frutos sociais e econômicos”, completa Carlos Vogt, presidente da Fundação.

Extração sustentável
Os resultados da primeira avaliação serão divulgados no dia 20 de junho. Os pré-projetos aprovados deverão ser apresentados à FAPESP até o dia 20 de agosto para serem julgados até 20 de dezembro. A Natura investe anualmente cerca de R$ 30 milhões em pesquisa e desenvolvimento, registrando uma média de lançamento de 100 novos produtos por ano. As investigações sobre ativos da biodiversidade consomem 15% desses recursos e dão suporte à linha Natura Ekos. As fórmulas dos 37 produtos disponíveis no mercado utilizam ativos como guaraná, macela-do-campo, cupuaçu, cacau, pitanga, maracujá e castanha-do-pará, entre outras, cujas propriedades são largamente difundidas pelo conhecimento popular e comprovadas por estudos etnobotânicos e farmacológicos. Para garantir que esses insumos da flora brasileira sejam extraídos de forma sustentável, a Natura desenvolve o Programa de Certificação de Ativos com os fornecedores, apoiado emonitorado por uma organização não-governamental, a Imaflora.

O programa é composto por seis etapas: auditoria de local de origem dos ativos, elaboração do plano de manejo, avaliação do impacto ambiental e social, implantação do plano de manejo, obtenção do certificado e monitoramento periódico. “As outras linhas de produtos da Natura, como a de cosméticos, por exemplo, deverão ao longo do tempo também utilizar tecnologia oriunda da biodiversidade”, adianta Marcelo Araujo, vice-presidente de Inovação e Desenvolvimento.


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