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Mudanças climáticas

Esforço em três frentes

Acordo estimula colaborações entre pesquisadores de São Paulo, Pernambuco e França

A FAPESP e a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) celebraram um termo de cooperação científica e tecnológica para apoiar projetos realizados por pesquisadores paulistas e pernambucanos no campo das mudanças climáticas globais. O aporte financeiro será de R$ 4 milhões ao longo de cinco anos, divididos em partes iguais pelas duas fundações. Além da cooperação entre os dois estados, a iniciativa está aberta à cooperação científica com a França. A Facepe e a FAPESP negociaram com a Agência Nacional de Pesquisa da França (ANR) um acordo para permitir o financiamento, pelas três agências, de projetos colaborativos entre cientistas franceses, pernambucanos e paulistas. A ANR poderá financiar a metade do valor daqueles projetos que atraiam a participação de pesquisadores da França, ficando a FAPESP e a Facepe com a outra metade.

“A FAPESP tem celebrado acordos bilaterais com fundações de outros estados e com agências de financiamento internacionais, mas esse modelo tripartite é uma novidade para nós”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP. “Trata-se de um modelo interessante para um tema, o das mudanças climáticas, que é global por excelência.” De acordo com Diogo Ardaillon Simões, presidente da Facepe, o acordo começou a ser gestado no ano passado, após o lançamento do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais, que, entre vários objetivos, buscava mobilizar pesquisadores de várias partes do país e estabelecer parcerias com fundações de outros estados. “Quando a FAPESP lançou esse programa voltado para articular e aumentar a capacidade da pesquisa brasileira em mudanças climáticas, ficou claro para nós que Pernambuco deveria integrar-se a essa iniciativa”, disse Ardaillon. A oportunidade de envolver a França, segundo ele, surgiu mais tarde, com o lançamento de um edital da ANR que contemplava colaborações internacionais em pesquisas sobre mudanças ambientais. Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, a articulação é essencial para a pesquisa em mudanças climáticas. “O tema requer a mobilização de grupos grandes de pesquisadores. Esperamos que os cientistas se articulem e respondam às chamadas de projetos”, afirmou.

O acordo envolve quatro temas de interesse específicos, como a detecção de mudanças climáticas oceânicas por meio do monitoramento do Atlântico, os impactos sobre os recursos hídricos no Semiárido de Pernambuco e no estado de São Paulo, as vulnerabilidades provocadas pela alteração no nível do mar e o mapeamento do uso e da cobertura da terra, usando, entre outras, técnicas de sensoriamento remoto e modelagem matemática. “Buscamos reforçar a musculatura de nossa pesquisa em campos de pesquisa que terão impacto em Pernambuco, como o aumento do nível do mar”, disse Ardaillon. “Recife já enfrenta problemas e é apontado como uma das cidades costeiras mais ameaçadas”, afirmou. A ANR quer investir em assuntos mais amplos que, contudo, não excluem os tópicos de interesse das duas fundações brasileiras. Uma chamada de propostas já foi divulgada. As propostas podem ser apresentadas até o dia 25 de junho, se envolverem cooperação com a ANR, ou até 13 de julho, caso se limitem à FAPESP e à Facepe.

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