TECNOCIÊNCIA

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Consciência símia

ED. 186 | AGOSTO 2011

 

Rhesus: capaz de detectar trapaça eletrônica

Ponha um macaco rhesus (Macaca mulatta) na frente de um espelho e ele atacará a imagem. Até agora, essa reação tem sido vista por psicólogos como um fracasso no teste do espelho, que indica consciência de si em contraposição ao mundo e aos outros. Mas talvez não seja, mostra o trabalho de Justin Couchman, da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos (Biology Letters). Com base em outros testes nos quais os rhesus demonstraram cognição, ele conjecturou que a reação de fazer ameaças ao espelho talvez reflita seu sistema social, em que qualquer macaco é um intruso. Ao comparar rhesus e seres humanos diante de um jogo eletrônico em que usavam um joystick para mover um círculo num monitor, ele verificou que ambas as espécies distinguem o movimento executado pela própria mão daquele que resulta de um elemento criado pelo programa de computador. Essa pode ser uma indicação de que o teste do espelho não é o melhor – pelo menos não o único – para avaliar a autoconsciência. É possível que o conhecimento venha a ser usado para avaliar pessoas com problemas de cognição causados por distúrbios como esquizofrenia e Alzheimer. Mas Couchman alerta que é preciso aprofundar os estudos.


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