PESQUISA INOVATIVA EM PEQUENAS EMPRESAS (PIPE)

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A tática do jogo

Prancheta eletrônica é inovação para técnicos de futebol

MARCOS DE OLIVEIRA | ED. 219 | MAIO 2014

 

TaticalPad nas versões para várias mídias

TaticalPad nas versões para várias mídias

O técnico de futebol Joel Santana, que dirigiu vários times no país e a seleção sul-africana, ficou famoso tanto pela maneira nada ortodoxa de falar o inglês como pela sua inseparável prancheta de madeira. Sobre o papel, ele explicava a tática e o posicionamento de seus jogadores e dos adversários. Um hábito de vários técnicos que agora está se transformando pelos campos do país com a disseminação das pranchetas eletrônicas principalmente em treinos e preleções antes dos jogos. No Brasil foram vendidos entre 2009 e 2014 mais de 3 mil softwares da empresa ClanSoft, com funcionalidade para prancheta eletrônica em que é possível visualizar um campo de futebol e dois times representados por escudos numerados. Em uma versão 3D do mesmo software, jogadores aparecem na tela como se fossem um videogame e o técnico pode manipulá-los pelos comandos no tablet ou mesmo em telas touch screen com o arraste pelos dedos.

Com o nome de TaticalPad, o software foi criado por três ex-alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pedro Almeida, Danilo Lacerda e Fernando Closs, colegas da mesma turma iniciada em 2001 do curso de engenharia da computação. Eles fundaram a ClanSoft em 2009 na incubadora de empresas da Companhia de Desenvolvimento do Polo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) para desenvolver a ideia do software de prancheta eletrônica para uso em tablets. Logo no início das atividades, a ClanSoft teve aprovado um projeto do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) financiado pela FAPESP. “No meu mestrado estudei o uso de tablet com caneta na educação e o Danilo e o Fernando trabalhavam no Instituto Venturus [um centro de inovação tecnológica de Campinas]. Foi o Fernando quem propôs a ideia de fazer um software com funcionalidade de prancheta. Com essas experiências e essa proposta nós nos reunimos e montamos a empresa.”

O TaticalPad pode ser utilizado em dispositivos com plataformas Windows, android e iOS, da Apple. Além dos tablets, ele pode ser utilizado em smartphones e projetado em telas de TV e computadores. A explicação de estratégias e verificação de como joga o time adversário, antes da partida, podem ser feitas também com o vídeo de uma partida anterior da equipe. É possível fazer marcações por meio de círculos e setas mostrando a posição dos jogadores e a movimentação deles em campo. Além do futebol, o software apresenta também as mesmas funcionalidades para quadras de futsal, handebol e basquete. “Começamos fazendo um levantamento de tudo o que havia em relação a pranchetas eletrônicas e percebemos que os programas existentes eram muito complicados tanto para operar como para os jogadores entenderem”, diz Almeida. “Para mapear as necessidades de técnicos e jogadores, nós fizemos parcerias com os times de base do Palmeiras e profissional da Ponte Preta.” A primeira versão do software foi vendida no final de 2009 para Toninho Cecílio, que foi gerente de futebol do Palmeiras e técnico de várias equipes do interior paulista. Segundo Almeida, outros técnicos, como Gilson Kleina, do Palmeiras, Abel Braga, do Internacional de Porto Alegre (RS), Nei Franco, atualmente no Vitória (BA), e as equipes de base da seleção brasileira, do Santos e Fluminense utilizam o software.

TaticalPad possui funcionalidades para posicionamento de jogadores e planejamento tático para futebol, futsal, handebol

TaticalPad possui funcionalidades para posicionamento de jogadores e planejamento tático para futebol, futsal, handebol

“Muitas vezes, quem manipula a prancheta eletrônica é o auxiliar técnico ou o preparador físico”, diz Almeida. Não se sabe se alguma seleção que participará da Copa do Mundo no Brasil usará o TaticalPad. Mais recentemente, o público consumidor ampliou-se. Blogueiros que tratam de futebol, além de jornalistas esportivos, como Paulo Vinícius Coelho, da rede televisiva ESPN, André Rocha, da SportTV, e Mauro Beting, da FOX, também usam o software. “Em 2011, nós fizemos uma parceria com o jornal Lance, de São Paulo, que mostrou as escalações para o jornal impresso e no site do periódico alguns exemplos de táticas dos jogos do campeonato brasileiro”, lembra Almeida.

Técnicos no exterior
Os primeiros modelos de tablet eram da Microsoft e precisavam de adaptações para facilitar o uso de mouse e teclado. Hoje a prancheta eletrônica já funciona em dispositivos com tecnologia touch em que os jogadores são movidos com a passagem dos dedos sobre a tela ou com uma caneta compatível. A venda do software é automatizada por meio de licenciamento próprio da ClanSoft. A licença é de um ano e a versão profissional mais cara custa US$ 249 e depois de um ano a anualidade é de R$ 95. A versão mobile custa US$ 19,90. Nas lojas virtuais da Apple e da Google, com sistema Android, é possível baixar uma versão simples gratuitamente. A versão completa vendeu mil unidades, a light, 2 mil e a simples já foi baixada 150 mil vezes. Com isso, e mais o trabalho de consultoria, a empresa faturou R$ 480 mil em 2013 e pretende atingir R$ 700 mil este ano, com a ampliação de vendas para o exterior. Técnicos brasileiros já levaram o software para o Japão, Catar, Jamaica e Coreia do Sul.

Outro software criado pela empresa permite a detecção e tratamento de dados da distância percorrida pelos jogadores por meio de GPS. “Na parceria que temos com o time profissional do Palmeiras estamos produzindo relatórios que mostram quanto um jogador correu ou andou dentro de campo com um sensor instalado em um pequeno colete embaixo da camiseta. Para a transposição dos dados coletados nós criamos esse software que pode ser acoplado ao TaticalPad e reproduzir a movimentação dos jogadores”, diz Almeida. Outra atividade do grupo é coletar e prover o conteúdo de um sitewww.tacticalpedia.com – que reúne táticas de futebol e deve servir a técnicos e pesquisadores da ciência do esporte. n

Projetos
1. Pesquisa e desenvolvimento de uma aplicação de apoio a esportes coletivos utilizando tablet PC (nº 2008/58404-1); Modalidade Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisador responsável Pedro Henrique de Almeida (ClanSoft); Investimento R$ 12.058,39 (FAPESP).
2. Pesquisa e desenvolvimento de uma aplicação de apoio a esportes coletivos utilizando interfaces pen-based (nº 2011/50064-0); Modalidade Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe); Pesquisador responsável Pedro Henrique de Almeida (ClanSoft); Investimento R$ 31.390,00 (FAPESP).


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