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Paquistanesa e indiano recebem Nobel da Paz, e francês, o de Literatura

Malala Yousafzay é a mais jovem a receber o prêmio, que será dividido com o ativista Kailash Satyarthi. Em Literatura, o laureado este ano foi Patrick Modiano

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição Online 21:24 10 de outubro de 2014

 

Malala Yousafzay é a mais jovem a receber o prêmio, que será dividido com o ativista Kailash Satyarthi

Malala Yousafzay é a mais jovem a receber o prêmio, que será dividido com o ativista Kailash Satyarthi

Não foi surpresa o anúncio na manhã desta sexta-feira, 10, de que a vencedora do prêmio Nobel da Paz era Malala Yousafzay. A jovem ativista paquistanesa, de 17 anos — a mais jovem a ganhar o Nobel —, dividirá o prêmio com o engenheiro indiano, e também ativista, Kailash Satyarthi, 60. O reconhecimento se deu pela luta de ambos contra o assassinato de jovens e crianças e pela garantia de seu direito à educação. A dupla dividirá 8 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 2,64 milhões.

Malala foi baleada na cabeça em outubro de 2012, no Paquistão, em represália do Talibã à sua campanha pelo direito das meninas à educação no país. A ativista foi, então, levada para a Inglaterra, onde conseguiu se recuperar. Desde então, Malala, eleita em 2013 uma das 100 pessoas mais influentes pela revista Time, dos Estados Unidos, continua sua campanha pela educação das meninas. Em julho de 2013, fez um discurso nesse sentido na Organização das Nações Unidas (ONU).

Já Satyarthi há anos se dedica à organização de protestos pacíficos contra a exploração de crianças para ganhos financeiros, contribuindo também para o desenvolvimento de importantes convenções internacionais voltadas aos direitos das crianças. Em 1980, o ativista fundou o “Movimento Salve as Crianças” (Save the Childhood Movement, em inglês), organização que já ajudou a garantir o direito à educação de cerca de 80 mil crianças na Índia.

Patrick Modiano é o 11º autor francês a ganhar o Nobel de Literatura

Patrick Modiano é o 11º autor francês a ganhar o Nobel de Literatura

Em comunicado oficial, o Comitê Norueguês do Nobel afirmou considerar a premiação a Malala e Satyarthi um estímulo importante para a cultura hindu e muçulmana no sentido de uni-las na luta comum em favor da educação e contra a onda de extremismo que cresce no Oriente Médio. Em 2013, Malala lançou um livro de memórias intitulado “Eu sou Malala”, publicado no Brasil pela Companhia das Letras.

Já na quinta-feira, 9, a Academia Sueca premiou o escritor francês Patrick Modiano, 69, com o prêmio Nobel de Literatura. Modiano — cujo livro mais famoso, “Uma rua de Roma”, conta a história de um detetive que perde a memória — foi laureado, segundo a Academia Sueca, “pela arte da memória com a qual evocou os destinos humanos mais inapreensíveis e jogou luz sobre a vida durante a ocupação”, em referência à ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial.

Modiano é o 11º autor francês a ganhar o Nobel de Literatura. O último havia sido Jean-Marie Gustave Le Clézio, em 2008. Entre os livros de Modiano no Brasil está “Filomena Firmeza”, de 1988, editado pela Cosac Naify. Antes do anúncio, eram contados como prováveis vencedores ao Nobel de Literatura o queniano Ngugi wa Thiong’o, o japonês Haruki Murakami e a bielorrussa Svetlana Aleksijevitj.

Na próxima segunda-feira,13, será divulgado o vencedor do Nobel de Economia, encerrando as premiações de 2014.


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