TECNOCIÊNCIA

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A perereca das nascentes

ED. 231 | MAIO 2015

 

Hylodes japi: na hora de acasalar, o macho leva a fêmea para uma câmara no fundo do riacho

Hylodes japi: na hora de acasalar, o macho leva a fêmea para uma câmara no fundo do riacho

As águas transparentes de riachos da serra do Japi, ao lado de Jundiaí, no interior paulista, acabam de revelar uma nova espécie de perereca: a Hylodes japi, que tem um comportamento reprodutivo bastante peculiar. Quando um macho atrai uma parceira, ele a conduz para a câmara que escavou na areia do fundo do riacho, em meio às pedras, com uma entrada estreita por onde o casal entra (um de cada vez) para fertilizar os ovos e depositá-los. O biólogo Fábio de Sá descobriu a nova espécie durante seu mestrado, feito sob a orientação de Célio Haddad, na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro (Herpetologica, março de 2015). Tempos antes, o próprio Haddad já tinha encontrado animais dessa espécie, mas os identificando como sendo de outra, semelhante. A identificação não é a única novidade. “Além de ser bastante raro de ser observado, esse comportamento reprodutivo só era conhecido para peixes até ser descrito para algumas outras espécies dessa família de anfíbios”, conta Sá. O nome científico da perereca é uma homenagem ao único lugar onde foi achada: uma floresta preservada por um parque estadual. O local está sob a ameaça constante de cidades populosas da vizinhança – o parque está no município de Jundiaí e a cerca de 60 quilômetros do centro de São Paulo. Em tupi, japi significa nascentes, justamente os hábitats naturais da nova espécie.


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