RESENHAS

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Uma obra para especialistas e leigos

História da astronomia no Brasil | Oscar T. Matsuura (org.) | Vol. 01 - 656 páginas e vol. 02 - 604 páginas

JOSÉ LUIZ GOLDFARB | ED. 235 | SETEMBRO 2015

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Uma obra de fôlego. Com mais de 1.200 páginas, acaba de ser lançado o livro História da astronomia no Brasil, em versão digital e impressa. Em uma iniciativa conjunta do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), do Rio de Janeiro, Cepe Editora, de Recife, e Secretaria de Ciência e Tecnologia de Pernambuco, e com organização de Oscar Toshiaki Matsuura, a obra tem na comissão editorial Alfredo T. Tolmasquim, Antônio Augusto P. Vieira, Cristina H. Barbosa e Walter J. Maciel, e conta com mais de 60 colaboradores de diferentes especialidades.

O livro está dividido em dois volumes. O primeiro deles tem 16 capítulos e trata da época mais remota: parte da era pré-colombiana com a arqueoastronomia e a astronomia indígena, segue para a época do descobrimento, visita os tempos do Brasil holandês, mergulha nas expedições europeias ao Brasil e suas consequências para essa área do conhecimento. Passa então para o início do ensino da astronomia no país, com destaque para a determinação da hora legal, os meteoritos em solo brasileiro – incluindo alguns eventos marcantes –, o começo dos estudos científicos de astrofísica no país, com rico capítulo sobre Mario Schenberg, e, ainda, capítulos sobre a consolidação do ensino superior e pesquisa e a construção dos observatórios.

Já o segundo volume tem 18 capítulos, em que os temas tendem a ser tratados de modo mais fatual e menos analítico do que na primeira parte. São abordadas diversas áreas da pesquisa em astronomia no Brasil, como raios cósmicos, radioastronomia, cosmologia teórica, ondas gravitacionais, além de capítulos que abordam como se deu a estruturação da área no país, incluindo a pós-graduação, formação de sociedades científicas, grandes eventos internacionais, divulgação, planetários e temas correlatos.

Segundo o organizador, a ideia inicial do projeto surgiu durante a realização de um evento científico que celebrava o quarto centenário de Jorge Marcgrave, historiador natural, cartógrafo e cosmógrafo do conde Maurício de Nassau no Brasil holandês, em um simpósio internacional realizado em 2010 na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife. Na mesa de encerramento do evento, concluiu-se que a história da astronomia deveria ser recontada e o projeto dessa obra abrangente foi lançado. Já em novembro daquele ano foi distribuída pela internet uma circular com a primeira versão do projeto para 17 potenciais participantes. A partir de então, o projeto assumiu um caráter de empreendimento coletivo com envio de outras sugestões e comentários que levaram a uma nova versão do trabalho, mais ambiciosa.

O processo se repetiu várias vezes até convergir no início de 2012 para a versão consensual que resultou na obra agora disponível ao público. Ainda segundo o organizador, após minuciosa visita à bibliografia existente na área da história da astronomia, constatou-se que novos estudos sobre episódios do passado mais remoto estavam ausentes. Além disso, os estudos estavam espalhados em livros, teses, artigos publicados em periódicos especializados ou comunicações públicas em anais de encontros. Os episódios da nova astronomia brasileira – aquela feita a partir dos anos 1960, como definido por Sylvio Ferraz-Mello – eram abordados de forma isolada ou abreviada e tocavam apenas na sua fase inicial.

Essas considerações levaram Oscar Matsuura a concluir pela falta de uma narrativa abrangente e integrada da história da astronomia no Brasil. Assim, a nova obra deveria incorporar tanto os episódios mais recentes quanto os novos estudos a respeito dos episódios do passado. Lançar um projeto com o objetivo de recontar essa história e sanar essa séria lacuna bibliográfica tornou-se sua meta, plenamente justificada, e que recebeu total apoio da comunidade de historiadores da ciência. O resultado é esta vasta História da astronomia no Brasil, que passa agora a ser uma obra referencial. Sua diversidade no enfoque, metodologia e estilo não é um demérito, mas, pelo contrário, comprova a riqueza da atividade da história da ciência no país. Devemos louvar os esforços do organizador Matsuura e o trabalho de tantos colaboradores. Podemos agora conhecer em profundidade e abrangência a história da nossa astronomia.

História da astronomia no Brasil está disponível para download.

José Luiz Goldfarb é físico, doutor em História da Ciência e coordenador do Programa de Estudos Pós-graduados em História da Ciência da PUC-SP.

 

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