EDITORIAL

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Startups sob os holofotes

NELDSON MARCOLIN | ED. 239 | JANEIRO 2016

 

A reportagem que estampa a capa desta edição foi uma escolha natural. Em 2015, a emergência das startups tornou-se mais visível com eventos numerosos ocorrendo durante todo o ano em diversas partes do Brasil. O fenômeno dessas pequenas empresas nascentes, quase sempre de base tecnológica, não é novo no país. A diferença é que, agora, se multiplicam os programas de incentivo criados por governos ou grandes companhias dirigidos às startups, assim como torneios em que empreendedores apresentam ideias de produtos inovadores para convencer uma plateia de investidores a colocar dinheiro no novo negócio.

Uma das razões da atenção provocada pelas pequenas empresas inovadoras é a descoberta de governos estaduais e federal, além de grupos privados, de que elas podem proporcionar soluções criativas para problemas de órgãos públicos e empresariais. A maioria das startups trabalha com tecnologia da informação e softwares que têm aplicações quase imediatas, capazes, por exemplo, de facilitar a gestão e o acesso a dados de interesse da população. Em muitos casos, é mais rápido, eficaz e econômico se associar ou financiar uma empresa que já tem uma resposta para determinado gargalo do que começar do zero. A geração de conhecimento, que boa parte das vezes começa na academia, é constante. Especialmente quando se sabe que as chances de sucesso desses novos empreendimentos tecnológicos crescem quando associados a universidades, centros de pesquisa e a companhias maiores com os quais possam interagir. O movimento de valorização das startups está retratado a partir da página 16.

Em 2015 houve um tema menos óbvio e mais comentado do que o reconhecimento dos benefícios que as pequenas empresas podem ter na economia: o vírus Zika e seus danos sobre a saúde humana. Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o vírus é suspeito de ser o causador do surto de microcefalia que começou pela região Nordeste e ameaça o restante do país. Esse agente infeccioso também vem sendo associado ao aumento dos casos da síndrome de Guillain-Barré, doença inflamatória que afeta o sistema nervoso. Em São Paulo está sendo feito um extraordinário esforço para conhecer mais o vírus. Até a última semana de dezembro 32 laboratórios, com centenas de pesquisadores envolvidos, haviam se organizado em uma rede para estudar o Zika. O objetivo é compreender como o vírus age e qual a real relação com a microcefalia, além de procurar uma forma eficiente de combate aos seus efeitos. A urgência é justificada: as chuvas vieram com intensidade neste começo de verão no Sudeste, o que pode facilitar a proliferação do Aedes numa região habitada por 82 milhões de pessoas.

Depois dos atentados terroristas de novembro, o final do ano trouxe uma boa notícia de Paris, onde ocorreu a 21ª Conferência do Clima. Representantes de 195 países se comprometeram a adotar medidas para combater as mudanças climáticas em um acordo histórico. Vale a pena conhecer os detalhes dessa história e ler também a entrevista com o físico Paulo Artaxo, um pesquisador especialista em aerossóis – partículas em suspensão na atmosfera –que conhece como poucos a importância da Amazônia para o clima do planeta.

Boa leitura.

 


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