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José Arana Varela

José Arana Varela morre aos 72 anos

Diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP desde 2012, morreu nesta terça-feira (17/05), após três anos de luta contra o câncer

José Arana VarelaLÉO RAMOScom Agência FAPESP

Professor titular do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista, em Araraquara, Varela foi o primeiro docente da Unesp a assumir o cargo de diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP. Foi também membro do Conselho Superior da Fundação de 2004 a 2010 e seu vice-presidente de 2007 a 2010.

Varela foi presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais, fundador e diretor da Agência Unesp de Inovação e coordenador em Inovação do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP.

Nascido em Martinópolis, interior de São Paulo, em 11 de abril de 1944, graduou-se em Física pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Física pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutorado em Ciência de Materiais pela University of Washington.

Era membro do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, da Sociedade Brasileira de Física, da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia Brasileira de Ciências.

Varela também era membro da World Academy of Ceramics, da American Ceramic Society, do Conselho de Curadores da Ceramic and Glass Industry Foundation, e da Materials Research Society.

Recebeu vários prêmios e honrarias, entre os quais o Prêmio Epsilon de Ouro, da Sociedade Espanhola de Cerâmica e Vidro – o primeiro não espanhol a receber a distinção –, o Prêmio Scopus Elsevier, pela sua contribuição para a ciência no Brasil, o Global Star Award (2013) e o Bridge Building Bridge Award (2014), os dois últimos da American Ceramic Society.

O presidente da FAPESP, José Goldemberg, lamentou a perda não apenas para a FAPESP mas para a ciência no Estado de São Paulo e no Brasil.

“O professor Varela foi um cientista de elevadíssimos padrões e tê-lo como presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP não só fez juz às suas qualidades como também contribuiu para a manutenção dos altos níveis científicos da instituição”, disse.

Materiais cerâmicos
Como pesquisador, Varela tinha grande experiência em ciência de materiais, com ênfase em materiais cerâmicos, especialmente em estudos com filmes finos, materiais ferroeletricos e dielétricos, varistores, propriedades de contorno de grãos e sinterização. Manteve forte intercâmbio com instituições de pesquisa na Espanha, França, Estados Unidos, Eslovênia e Itália.

“Ao lado do prof. O. J. Whittemore, da University of Washington em Seattle, o professor Varela foi responsável por dar sustentação à pesquisa dos materiais cerâmicos no Brasil e pelo desenvolvimento dessa área no país em termos de semicondutores”, disse Elson Longo, diretor do CDMF e professor emérito da Universidade Federal de São Carlos.

“Nossa parceria, que rendeu pelo menos 500 artigos científicos e a orientação de mais de 80 alunos de doutorado e outros 50 de mestrado, entre tantas outras atividades, começou há mais de 60 anos, nos bancos do ensino médio, de modo que fomos parceiros não só de pesquisa, como grande físico e experimentador que ele era, mas também da vida”, disse Longo.

Varela é um dos autores do livro Engineered Ceramics – current status and future prospects, lançado em janeiro pela American Ceramic Society durante a 40th International Conference and Expo on Advanced Ceramics and Composites.

Foi membro do corpo editorial de diversas revistas, entre as quais Ceramics InternationalScience of SinteringCerâmica eMaterials Research.

“Mais do que um amigo, o professor Arana foi um grande inspirador. Quando assumiu a Pró-Reitoria de Pesquisa da Unesp e me convidou para ser sua assessora, estranhei. Disse a ele que eu era apenas uma cientista, mas foi ele quem me abriu os olhos para as responsabilidades da ciência que vão além dos laboratórios, alcançando toda a população e auxiliando no desenvolvimento da sociedade e da humanidade. Foi com esse espírito que ele construiu o legado que deixa para a Química brasileira e para a inovação no país”, disse Vanderlan Bolzani, professora titular do Instituto de Química da Unesp e diretora da Agência Unesp de Inovação. “Sempre após o almoço, Varela sentava num sofá em sua sala na Unesp e tirava um cochilo. Quando acordava, após alguns minutos, dizia que estava pronto para trabalhar em dobro”, recorda-se.

O vice-diretor do Instituto de Química de Araraquara da Unesp, Eduardo Maffud Cilli, lembra que Varela era um dos mais produtivos pesquisadores da Universidade. Num recente levantamento do Webometrics Ranking of World Universities, Varela foi o 35º pesquisador brasileiro com maior número de citações no índice do Google Scholar Citations “O destaque de sua contribuição não se dava apenas na quantidade de papers, mas na qualidade desses trabalhos e na interação com a indústria. Vários alunos que ele formou saíram da universidade e conseguiram levar o conhecimento produzido para empresas traduzir as informações em empresas”, diz Cilli.

“Ele sempre foi um professor muito ativo, tanto no Instituto de Química quanto na Agência Unesp de Inovação e na FAPESP. Teve um papel fundamental na consolidação do programa de pós-graduação do Instituto de Química de Araraquara, que é um dos mais respeitados do país. A perda é irreparável”, lamenta o vice-diretor do instituto.

O professor Varela deixa a companheira Ana Lúcia, ex-esposa Eloiza e as filhas Fernanda e Simone. O velório será a partir das 8h de quarta (18/05) no Cemitério e Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, e a cremação será às 13h.