CARREIRAS

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Orientação para futuros profissionais

Universidades brasileiras investem em serviços de apoio à carreira de alunos e ex-alunos

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | ED. 248 | OUTUBRO 2016

 

095_Carreiras01_248_A transição da universidade para o mercado de trabalho pode ser marcada pela dificuldade de encontrar um emprego condizente com as expectativas profissionais e salariais alimentadas ao longo da graduação. Trata-se de um processo delicado, por vezes associado à falta de clareza sobre suas aptidões individuais e à necessidade de se construir uma identidade profissional. Diante disso, muitas universidades brasileiras estão investindo na criação de centros de serviços de apoio à carreira, oferecendo a alunos e ex-alunos aconselhamento, palestras e oficinas sobre planos de desenvolvimento profissional e informações sobre o mercado de trabalho, além de orientação sobre como elaborar um currículo e se preparar para uma entrevista de emprego.

A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) conta com um escritório de carreiras desde 2007. Voltado ao atendimento de alunos de graduação, pós-graduação, diplomados e intercambistas em estadia na universidade,  o escritório oferece orientação sobre planejamento profissional por meio de discussões sobre aspectos relacionados às carreiras dos estudantes, de modo que eles avaliem suas possibilidades de atuação no mercado de trabalho e ganhem mais segurança em suas escolhas.

A Universidade de São Paulo (USP) também resolveu investir nesse modelo de aperfeiçoamento profissional. Inspirado nos offices, comuns em universidades do exterior, sobretudo nos Estados Unidos, a USP lançou em março deste ano seu próprio Escritório de Desenvolvimento de Carreiras, órgão ligado à Pró-reitoria de Graduação da universidade. “O objetivo é assessorar os alunos na reflexão, na preparação e no planejamento de suas carreiras a curto, médio e longo prazo, considerando não só sua vida profissional, mas também aspectos diversos relacionados à sua vida pessoal e à sua contribuição à sociedade”, diz Tania Casado, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e diretora do escritório. Ela explica que muitos estudantes não compreendem as características dos próprios cursos ou as possibilidades de aplicação do conhecimento adquirido no mercado de trabalho.

Carreiras_248O escritório, ela explica, vai além da intermediação do contato entre os alunos e possíveis empresas contratantes. A ideia é orientar os estudantes para que obtenham conhecimento sobre o mercado  e desenvolvam habilidades que lhes permitam explorar seu potencial. O escritório conta com a ajuda de 30 voluntários, todos ex-alunos da USP com mestrado, doutorado ou experiência de mercado — alguns são executivos de empresa na área de gestão de carreiras. “Eles desenvolvem atividades de mentoria, quando uma pessoa com experiência orienta outra, com menos experiência”, ela explica. “Eles também nos ajudam a preparar oficinas de carreiras e palestras sobre o mercado de trabalho, cenários econômicos, alternativas de atuação em cada área, entre outros assuntos envolvendo a carreira dos alunos.”

Em 2008, a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina, apostou em outro modelo de serviço de apoio à carreira e lançou um banco de vagas de empregos exclusivo para alunos e ex-alunos. Nele, as empresas da região e os estudantes da universidade se cadastram pela internet. “Os alunos recebem por e-mail informações sobre vagas que mais se aproximam do perfil de seu curso ou área de conhecimento”, explica Márcia Roseli da Costa, Gerente de Atenção ao Estudante da Univali. Segundo ela, a contratação é feita diretamente pela empresa em contato com os alunos por meio dos currículos que os estudantes anexam às vagas cadastradas.

Já o Banco de Talentos da Escola de Extensão (Extecamp) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é um sistema on-line, automatizado e dinâmico, dirigido exclusivamente a profissionais graduados que fizeram Cursos de Extensão na Escola de Extensão da universidade. Criado em 2012, o sistema permite que departamentos de recursos humanos de empresas façam uma busca específica de acordo com as habilidades preenchidas pelos profissionais formados pela Extecamp.

Ao mesmo tempo, permite que as empresas possam se cadastrar, informar sobre oportunidade de vagas e escolher qualidades e competências esperadas dos candidatos. “Os alunos dos cursos de extensão, incluindo especializações, desenvolvem habilidades muito específicas em áreas como economia, engenharia, humanidades e biológicas”, diz Pedro Carvalho, diretor associado da Extecamp. “Os alunos que tiverem as habilidades predefinidas pela empresa no cadastro são avisados por e-mail sobre a abertura da vaga.” Caso o candidato tenha interesse, pode entrar em contato com a empresa, mas não o contrário.


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