EDITORIAL

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Políticas públicas e pesquisas privadas

ALEXANDRA OZORIO DE ALMEIDA - DIRETORA DE REDAÇÃO | ED. 248 | OUTUBRO 2016

 

A saúde dos adolescentes foi objeto de dois amplos inquéritos nacionais: centenas de pesquisadores de dezenas de universidades ouviram milhares de pessoas de 12 a 17 anos. O mapeamento de hábitos alimentares, atividades físicas, alterações metabólicas, indicadores de saúde mental, entre outros, mostrou um quadro preocupante, embora esperado.

Um dos levantamentos, voltado para identificar a frequência de riscos cardiovasculares, encontrou índices relativamente elevados de sobrepeso ou obesidade (25%), taxas de colesterol total acima do recomendável (20%) e hipertensão arterial (10%). Os dados sobre saúde mental também chamam a atenção. Um em cada três adolescentes apresenta sinais de algum grau de sofrimento psíquico, que afeta principalmente as meninas: 38,4% delas apresentavam sintomas de depressão e ansiedade, identificados em 21,6% dos meninos.

Igualmente preocupante foi o estilo de vida da maior parte dos ouvidos pela sondagem: a maioria (54,3%) é sedentária e passa duas ou mais horas por dia na frente da televisão (66,6%), frequentemente fazendo suas refeições diante da tela. Sua alimentação é desequilibrada e desregulada.

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o Brasil não é um ponto fora da curva. A proporção de adolescentes que apresentam problemas de saúde é semelhante à de outros países. Os estudos financiados pelo Ministério da Saúde (MS) oferecem dados nacionais essenciais para ajudar na elaboração de políticas públicas de saúde e educação que evitem que esses adolescentes se transformem em adultos doentes.

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Universidades e empresas são a resposta mais comum quando a pergunta é onde se produz pesquisa científica e tecnológica – mas não a única. Institutos privados que fazem pesquisa por encomenda são um caminho menos conhecido, mas não incomum, como mostra reportagem, que trata de 18 casos em São Paulo.

A origem desses institutos é variada. O CPqD, antigo centro de pesquisa da extinta estatal de telecomunicações Telebrás, é o maior dos institutos privados paulistas em tecnologia da informação. Nessa área, surgiram centros em decorrência da Lei de Informática, que exige das empresas, em troca de benefícios, investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Parte dos investimentos precisa ser feita juntamente com instituições de pesquisa e de ensino nacionais – o que estimulou a criação de instituições sem fins lucrativos. Um exemplo é o Instituto Eldorado, fundado pela Motorola, que depois da crise da empresa norte-americana ampliou o número de clientes para os quais oferece seus serviços.

Incentivos fiscais também motivaram hospitais a desenvolver atividades de pesquisa. Desde 2009, aqueles classificados como entidades beneficentes de assistência social em saúde podem fazer parcerias com o MS que permitem que os valores aplicados em projetos de pesquisa aprovados pelo ministério sejam abatidos do imposto de renda. Entre eles estão os hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein, HCor, Samaritano e Oswaldo Cruz.

Outro grupo de institutos privados tem como tema a agricultura. O CTC, voltado para pesquisas sobre a cana-de-açúcar, foi criado em 1969 por iniciativa de usineiros que buscavam criar um centro coletivo de desenvolvimento tecnológico para seu setor. Reestruturado há alguns anos, o CTC é hoje uma sociedade anônima, concentrada em tecnologias disruptivas para a indústria sucroenergética.

O fenômeno é relativamente recente e merece ser acompanhado com atenção, não apenas por ser um caminho alternativo às atividades de P&D, mas também pelo fato de a maioria contar com recursos públicos para financiar suas atividades.


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