TECNOCIÊNCIA

Print Friendly

Por que as cobras não têm patas

ED. 249 | NOVEMBRO 2016

 

Jiboia: ausência de trecho com 17 pares de bases fez cobras perderem as patas

Jiboia: ausência de trecho com 17 pares de bases fez cobras perderem as patas

TTCTGAGGTAACTTCCT. A ausência dessa sequência de 17 pares de bases, as unidades químicas que compõem o DNA, em um trecho do genoma das cobras, fez esses répteis perderem progressivamente suas patas (Cell, 20 de outubro). Essa é a conclusão de um estudo coordenado por pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, com participação do biólogo molecular brasileiro Uirá Souto Melo. A sequência faz parte de uma região regulatória que controla o funcionamento do gene Sonic hedgehog (Shh), responsável pela produção de uma proteína  importante para o crescimento dos membros. Denominada ZRS, essa região é bem conservada no genoma dos vertebrados, mas apresenta algumas deleções no DNA das serpentes. No caso das cobras modernas, que não têm patas, o trecho de 17 pares de base está ausente. Por meio da técnica CRISPR-Cas9, ferramenta da biologia molecular que permite editar segmentos específicos de um gene, os pesquisadores inseriram e apagaram a tal sequência em camundongos transgênicos. Quando introduziam nos roedores a sequência proveniente de vertebrados com membros, como o ser humano, o cavalo e a galinha, os roedores formavam patas. Se a origem do trecho inserido eram duas das espécies de cobras estudadas, os camundongos não produziam seus membros. “Vimos que a sequência é suficiente para controlar a formação das patas”, explica Melo, que fez parte do seu doutorado no ano passado na instituição norte-americana e hoje está no Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-tronco (CEGH-CEL), da Universidade de São Paulo (USP).


Matérias relacionadas

GENÉTICA
Sistema para edição de DNA suscita temores éticos
FÁBIO PAPES
Biólogo explica estudo sobre mudança do olfato ao longo da vida
PESQUISA BRASIL
Bororo, olfato, buracos negros e efeito Unruh