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Taxa geral de inovação de 2012-2014 é semelhante à de 2009-2011

Apesar da crise econômica, proporção de empresas brasileiras que lançaram produtos ou melhoraram processos entre 2012 e 2014 foi de 36%, mesmo patamar do triênio anterior, mostra nova edição da Pintec

FABRÍCIO MARQUES | Edição Online 10:07 10 de dezembro de 2016

 

A Pesquisa de Inovação (Pintec) de 2014, divulgada ontem (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o resultado do esforço de inovação das empresas brasileiras entre 2012 e 2014 manteve-se estável em relação ao triênio anterior. Das 132.529 empresas brasileiras pesquisadas, dos setores industrial, de serviços selecionados e de eletricidade e gás, 36% lançaram ou aprimoraram produtos ou inovaram em processos. A chamada taxa geral de inovação foi ligeiramente maior que os 35,7% registrados na edição anterior da pesquisa, que avaliou as empresas no triênio de 2009 a 2011. O patamar, contudo, ainda está aquém dos 38,1% obtidos na pesquisa feita entre 2006 e 2008.

Se a taxa de inovação ficou estável, aumentou a proporção de empresas inovadoras beneficiadas por algum incentivo do governo. A taxa foi de 40%, ante 34,2% na pesquisa anterior. No grupo das indústrias, o percentual vem evoluindo nas últimas três pesquisas. Foi de 22,8% entre 2006 e 2008, de 34,6% entre 2009 e 2011 e agora alcançou 40,4%. “É razoável supor que um dos fatores que contribuíram para a estabilidade da taxa de inovação foi justamente o crescimento do apoio governamental”, diz o economista Alessandro Pinheiro, gerente da Pintec. Isso porque, de acordo com ele, outros indicadores revelam notáveis obstáculos para inovar no período estudado pela pesquisa, sobretudo no setor industrial, que responde por mais de 90% da amostra.

Um exemplo: o setor industrial investiu em atividades inovativas 2,12% de sua receita líquida total de vendas, o menor patamar registrado na série histórica da Pintec. A taxa em 2011 foi 2,37% e em 2008, de 2,54%. “A indústria foi o setor que mais acusou a crise. A postura das empresas foi apenas reativa, tendo como foco principal a inovação em processos e não em produtos. Ao mesmo tempo, caiu o nível de cooperação para promover inovação”, diz Pinheiro. Em 2014, 14,3% das empresas inovadoras cooperaram no campo da inovação com pelo menos um parceiro, como clientes, fornecedores e outras empresas. Em 2011, esse índice havia atingido 15,9%.

Ainda assim, a taxa de inovação no setor industrial aumentou de 35,6% em 2011 para 36,4% em 2014. Nesse universo, 18,2% inovaram apenas em processos, 3,8% só em produtos e 14,5% em produtos e processos. Alguns segmentos da indústria se destacaram. Entre as extrativas, o percentual de empresas inovadoras subiu de 18,9% para 42% entre as duas pesquisas. No caso da indústria de transformação, o aumento foi de 35,9%, em 2011, para 36,3%, em 2014.

O setor de eletricidade e gás foi um dos mais prejudicados no período analisado pela Pintec. A proporção de empresas inovadoras nesse setor correspondia a 44,1% do total pesquisado em 2011 e a taxa caiu para 29,2% em 2014. Os dispêndios em atividades inovativas em relação à receita líquida de vendas reduziu-se de 1,28% em 2011 para 0,57% em 2014.

Já o desempenho do setor de serviços, notadamente no segmento das telecomunicações, teve grande destaque em 2014. Dos R$ 81,5 bilhões investidos por empresas inovadores em atividades inovativas em 2014, um quarto veio dos serviços em telecomunicações, observa Alessandro Pinheiro. “O ano de 2014 foi o ápice de investimentos em serviços de telecomunicações, que se justificaram pela implantação de tecnologias e grandes eventos como a Copa do Mundo”, afirma. “A magnitude dos investimentos foi grande e, apesar de o setor de serviços pesar relativamente pouco na Pintec, pode-se dizer que ajudou a sustentar o desempenho geral.” No segmento dos serviços em telecomunicações, o percentual do dispêndio em atividades inovativas em relação à receita líquida de vendas subiu de 3,66% em 2011 para 9,99% em 2014.

O financiamento para compra de máquinas e equipamentos foi a principal forma de apoio governamental utilizado, alcançando 29,9% das empresas inovadoras, 4,3% a mais do que no triênio anterior. Já os incentivos fiscais a P&D e inovação tecnológica, como os previstos na chamada Lei do Bem, de 2005, foram utilizados por 3,5% das empresas inovadoras, ante 2,7% registrados na pesquisa anterior. Compras públicas de produtos inovadores beneficiaram 2,0% do total das empresas que inovaram – no setor industrial, o percentual foi de 1,4%. Foi a primeira vez que a Pintec avaliou o impacto de programas de compras públicas nas empresas brasileiras.

Em 2014, do total de 94.277 pesquisadores nas atividades internas de P&D das empresas inovadoras no Brasil, apenas 19.660 eram mulheres, o equivalente a 20,8%. Foi a primeira vez que a Pintec levantou esse dado. Há mais mulheres trabalhando com P&D na indústria (22%), do que nos serviços selecionados (18,2%) e em empresas de eletricidades e gás (16,1%). Entre os ocupados em atividades de P&D nessas empresas, 63,4% são pesquisadores, 28% são técnicos e 8,6%, auxiliares. Em 2011,havia mais pesquisadores (65,3%) e menos técnicos (26,4%) e auxiliares (8,4%). Das pessoas que trabalhavam com as atividades de P&D, 71,5% tinham nível superior, sendo 61,4% graduação e 10,2% pós-graduação, um crescimento na comparação com 2011, quando o total de funcionários com nível superior era de 69,2%, com 58,5% de graduados e 10,7% de pós-graduados.


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