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Morrem o historiador Edgar de Decca e a antropóloga Mariza Corrêa

Pesquisadores da Unicamp de 70 anos e 72 anos, respectivamente, eram referência em suas áreas

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição Online 20:12 27 de dezembro de 2016

 

Historiador Edgar de Decca, da Unicamp, durante palestra no dia 13 de dezembro de 2008 no parque do Ibirapuera, em São Paulo, sobre o físico alemão Albert Einstein

Historiador Edgar de Decca, da Unicamp, durante palestra no dia 13 de dezembro de 2008 no parque do Ibirapuera, em São Paulo, sobre o físico alemão Albert Einstein

A ciência brasileira perdeu nesta terça-feira, 27 de dezembro, dois pesquisadores no campo das ciências sociais. Aos 70 anos de idade, morreu o historiador Edgar Salvadori de Decca, professor titular do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp), pró-reitor de Graduação e vice-reitor da universidade. Também faleceu, aos 72 anos, a antropóloga Mariza Corrêa, professora do Departamento de Antropologia do IFCH-Unicamp e pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu, da mesma universidade.

Entre as pesquisas desenvolvidas por Edgar de Decca em áreas como historiografia, história moderna e contemporânea e história do Brasil República, destaca-se o estudo da obra de Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982). Em 2003, De Decca encontrou a dissertação de mestrado defendida por Sérgio Buarque em 1958 na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo intitulada “Elementos formadores da sociedade portuguesa na época dos Descobrimentos”. O trabalho jamais se transformou em livro e esteve mergulhado em uma espécie de limbo acadêmico até ser recuperado pelo historiador de Campinas (ver Pesquisa FAPESP nº 93).

Em 2003, De Decca assumiu em Lisboa a cátedra Brasil-Portugal em ciências sociais, criada pelo convênio entre a Unicamp e o Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, instituição portuguesa. Seus principais livros são O nascimento das fábricas (Brasiliense, 1995) e O silêncio dos vencidos (Brasiliense, 1981).

Por sua vez, a antropóloga Mariza Corrêa foi uma das principais pesquisadoras das questões de gênero no Brasil, tendo se debruçado em estudos sobre homicídios e tentativas de homicídios cometidos em Campinas entre 1952 e 1972. Ela pesquisou as representações jurídicas dos papéis sexuais, trabalho mais tarde publicado no livro Morte em família — Representações jurídicas dos papéis sexuais (Graal, 1983), que inspirou outras pesquisas sobre violência contra as mulheres.

Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mariza foi uma das mentoras da criação do Pagu da Unicamp, criado em 1993 a partir do trabalho de um grupo de estudos de professores e alunos de pós-graduação do IFCH (ver Especial Unicamp 50 anos). Entre 1996 e 1998 foi presidente da Associação Brasileira de Antropologia. Além de Morte em família, entre os livros principais estão História da antropologia no Brasil (1930-1960) (Editora da Unicamp / Vértice, 1997) e Antropólogas & Antropologia (Editora da UFMG, 2003).


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