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A sombra da eugenia na Alemanha nazista

ED. 252 | FEVEREIRO 2017

 

Cartaz que ilustra a suposta superioridade da raça ariana

Cartaz que ilustra a suposta superioridade da raça ariana

A Sociedade Max Planck para o Progresso da Ciência (MPG) designou um comitê de quatro pesquisadores independentes para investigar, ao longo dos próximos três anos, crimes praticados por seus cientistas nos tempos do nazismo. Durante e após o Terceiro Reich, membros da instituição que antecedeu o MPG, a Sociedade Kaiser Wilhelm, realizaram pesquisas com amostras de cérebros de pessoas com deficiência mental assassinadas pelo programa eugenista de Hitler. Mais de 200 mil pessoas foram mortas no programa de “eutanásia” nazista. Em 1980, descobriu-se que uma enorme quantidade de material biológico retirado dessas vítimas estava armazenada nas coleções do MPG. A maior parte do material foi, então, incinerada. A missão do comitê criado em janeiro é, por meio da análise de documentos e do estudo de amostras remanescentes, resgatar a história das vítimas. “Queremos saber quem eles foram e devolver parte de sua dignidade humana”, disse à revista Science Heinz Wässle, diretor emérito do Departamento de Neuroanatomia do Instituto Max Planck para Pesquisa do Cérebro.  A investigação também busca compreender como essas pesquisas floresceram e a extensão do envolvimento de cientistas com elas. Segundo o historiador britânico Paul Weindling, membro do comitê, o programa de eutanásia nazista foi bem estudado. “O que não se conhece até hoje é a proporção de vítimas, que imaginamos chegar a 5% do total, que tiveram seus cérebros removidos para pesquisa.”


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