BOAS PRÁTICAS

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Reprodutibilidade questionada

ED. 252 | FEVEREIRO 2017

 

Células tumorais: alvo de drogas como as avaliadas na Iniciativa de Reprodutibilidade

Células tumorais: alvo de drogas como as avaliadas na Iniciativa de Reprodutibilidade

Começaram a sair os resultados da Iniciativa de Reprodutibilidade, um projeto norte-americano lançado em 2013 para avaliar a reprodutibilidade de 50 candidatos a medicamentos contra câncer, depois de a empresa de biotecnologia Amgen ter comunicado que não havia conseguido refazer, com os mesmos resultados, 47 de 53 experimentos descritos em revistas como Nature, Science e Cell. Cinco estudos foram apresentados em janeiro na Nature e eLife: o teste dos efeitos de um peptídeo antitumoral falhou, os de dois compostos anticâncer apresentaram dados praticamente iguais aos do estudo original e outros dois não tiveram resultados claros, impossibilitando comparações.

Erkki Ruoslahtia, pesquisador do Instituto de Pesquisa Médica Sanford Burnham Prebys, da Califórnia, responsável por um peptídeo antitumoral que não passou nos testes, disse à Nature que pelo menos 10 laboratórios nos Estados Unidos, Europa, China e Japão tinham chegado aos mesmos resultados que os seus. Segundo ele, o fato de um experimento não ter sido reproduzido de modo fiel ao estudo inicial não significa que não possa levar aos mesmos resultados. Ruoslahtia disse temer que a irreprodutibilidade dos resultados prejudicasse a aprovação dos pedidos para financiamentos das próximas pesquisas.

A falha em reproduzir os resultados não implica necessariamente que as conclusões apresentadas estejam erradas, alertou Tim Errington, gerente da Iniciativa de Reprodutibilidade e pesquisador do Center for Open Science da Universidade de Virgínia, Estados Unidos. Segundo ele, os pesquisadores deveriam tomar os resultados negativos como informação, não como condenação, a não ser que outros também não cheguem aos resultados esperados. À Nature, Errington comentou que talvez a conclusão mais clara desse projeto seja que muitos artigos incluem poucos detalhes sobre os métodos usados nos experimentos.

No editorial, a Nature lembrou que a reprodutibilidade é um dos pressupostos do trabalho científico e ressaltou, sem justificar, a diferença entre os resultados dos experimentos originais e as replicações. Em um dos casos, os camundongos com câncer induzido tratados com um antitumoral sobreviveram nove semanas no estudo original e apenas uma nos experimentos que tentaram reproduzir o trabalho inicial.


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