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Um chefe para a super-agência britânica

Mark Walport, conselheiro para assuntos científicos do Reino Unido, deve comandar órgão que vai resultar da fusão de nove agências

Edição Online 19:36 13 de fevereiro de 2017

 

Mark WalportO governo britânico escolheu o imunologista Mark Walport, conselheiro-chefe para assuntos científicos do Reino Unido, para assumir em 2018 a direção da UK Research and Innovation (UKRI), novo órgão de financiamento à ciência e tecnologia com orçamento anual de £ 6 bilhões, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Proposta há dois anos pelo bioquímico Paul Nurse, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 2001 e presidente da Royal Society entre 2010 e 2015, a “super-agência” está em processo de criação, com o objetivo de centralizar as atividades de nove agências de apoio à pesquisa, entre as quais os sete Conselhos de Pesquisa do Reino Unido (RCUK, na sigla em inglês).

“O sistema britânico de financiamento à pesquisa funciona bem. Mas no momento carece de uma voz única”, disse Walport em entrevista à revista Nature. A escolha por Walport agradou membros da comunidade científica britânica, mas também gerou críticas. O astrônomo Martin Rees, professor da Universidade de Cambridge e ex-diretor da Royal Society, declarou que, como conselheiro científico, Walport foi um forte proponente de “uma estrutura mais monolítica” para o financiamento da ciência britânica.

A criação do UKRI ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento do Reino Unido. Segundo um editorial publicado pela Nature, além da preocupação com a consolidação dos conselhos de pesquisa, até então independentes, há receio, por parte dos pesquisadores, sobre a possibilidade de maior interferência do governo em órgãos que gozam de autonomia para decidir a concessão de financiamento.

“Nunca propus algo monolítico”, afirmou Walport à Nature. Segundo ele, as agências de apoio que irão compor o UKRI não perderão autonomia. “A ideia é que trabalhem em conjunto. O todo será maior do que a soma das partes.” O imunologista enfatizou que as agências e os conselhos necessitavam de uma liderança mais forte.

Em maio de 2016, Walport concedeu entrevista à Pesquisa FAPESP e explicou como o modelo britânico de aconselhamento científico se consolidou nas últimas décadas.


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