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José Goldemberg recebe título de Professor Emérito da USP

Atual presidente da FAPESP, físico foi homenageado por suas contribuições para o avanço da universidade

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição Online 10:59 15 de fevereiro de 2017

 

José Goldemberg recebe certificado do governador Geraldo Alckmin e do reitor Marco Antônio Zago

José Goldemberg recebe certificado do governador Geraldo Alckmin e do reitor Marco Antônio Zago

O físico José Goldemberg, de 88 anos, presidente da FAPESP, recebeu nesta terça-feira (14/02) o título de Professor Emérito da Universidade de São Paulo (USP). A honraria foi concedida pelo Conselho Universitário em decorrência de suas contribuições para o avanço da universidade. A cerimônia ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, e contou com a presença do governador Geraldo Alckmin, do reitor Marco Antônio Zago e do secretário-geral da universidade Ignácio Maria Poveda Velasco, entre outras lideranças acadêmicas e autoridades políticas do estado de São Paulo. Este é o 17º título de Professor Emérito concedido pela universidade em seus 83 anos de história. Goldemberg já era Professor Emérito do Instituto de Física (IF-USP) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE-USP).

Natural de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, Goldemberg ingressou no curso de ciências físicas da USP em 1945. Foi aluno do físico ítalo-ucraniano Gleb Wataghin, um dos professores estrangeiros da primeira fase da universidade. Doutorou-se em 1954, também na USP, sob a orientação de Marcello Damy de Souza Santos. Logo em seguida, em 1955, obteve a livre-docência. De lá para cá, Goldemberg foi presidente da Sociedade Brasileira de Física (1975-1977), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC, 1979-1981) e da Companhia Energética de São Paulo (Cesp, 1982-1985). Foi reitor da USP (1986-1990), além de secretário de Ciência e Tecnologia (1990-1991) e de Meio Ambiente (março a julho de 1992), ambos da presidência da República, ministro da Educação (1991-1992) e secretário estadual de Meio Ambiente de São Paulo (2002-2006).

Como pesquisador, trabalhou em diversas instituições internacionais, como as universidades de Princeton, Stanford e de Illinois, todas nos Estados Unidos. Publicou mais de 100 artigos científicos e escreveu e organizou 19 livros sobre física nuclear, meio ambiente e energia. Também recebeu numerosas honrarias internacionais, como o Planeta Azul, da Asahi Glass Foundation, do Japão, e nacionais, como o Prêmio Conrado Wessel.

Como reitor, Goldemberg teve papel importante na conquista da autonomia didática, científica e financeira das universidades paulistas ao negociar com o governo paulista, em 1988, uma proposta de fixação de uma fração do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para as universidades estaduais. A negociação ocorreu juntamente com Paulo Renato Souza e Jorge Nagle, à época reitores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), respectivamente. Também participou da criação do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).

“Goldemberg é um cientista com uma ampla visão social da ciência, promovendo essa visão em todas as instituições pelas quais passou”, disse o reitor Zago durante seu discurso em homenagem ao físico. “Trata-se também de um homem público excepcional, sempre empenhado em transformar o conhecimento científico em bem-estar social e desenvolvimento econômico e contribuindo para que a ciência e a tecnologia fossem incorporadas como parte das estratégias de governo”, completou.

“É uma honra receber o título de Professor Emérito da USP”, disse Goldemberg. “Devo à USP minha formação e como reitor da universidade tentei contribuir para o reerguimento da instituição, afetada pelo período da ditadura militar, de 1964 a 1985, e para elevar o nível da universidade para que ela pudesse atingir os objetivos para os quais foi criada em 1934”, afirmou.

Segundo Goldemberg, a fixação do percentual (hoje de 9,5%) do ICMS para as universidades paulistas foi fundamental para que a USP tivesse maior estabilidade, podendo fixar salários para seus professores e funcionários e determinar suas prioridades de investimento. “Com isso, a USP pôde atingir um nível de desempenho e excelência sem precedentes”, contou. Para o físico, educação e pesquisa precisam ser continuamente alimentadas e é essencial que haja um esforço para esclarecer os governos e a sociedade da importância da universidade, sobretudo nos períodos de crise econômica.

“É uma grande honra participar desta cerimônia”, disse por sua vez Geraldo Alckmin. “É uma homenagem justa e uma das maiores do meio acadêmico. Goldemberg é um homem público que, sem nunca se afastar da academia, tem assumido cargos de grande responsabilidade nos governos federal e estadual.” Durante seu discurso, o governador ressaltou que a cerimônia era também uma oportunidade para homenagear toda a comunidade científica brasileira, cujo trabalho, segundo ele, é reconhecido em todo o mundo. O governador lembrou, ainda, do trabalho de Goldemberg como presidente da FAPESP desde agosto de 2015.


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