EDITORIAL

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Para entender o envelhecimento

ALEXANDRA OZORIO DE ALMEIDA - DIRETORA DE REDAÇÃO | ED. 254 | ABRIL 2017

 

Reportagens sobre envelhecimento atraem leitura, especialmente de quem procura burlar o destino de todo ser vivo. A humanidade já avançou muito em termos de longevidade, mas, para encontrar novas formas de adiar o envelhecimento, a ciência precisa entendê-lo – algo a que vem se dedicando de forma crescente há várias décadas.

Um enorme corpo de pesquisas indica que são múltiplos os processos envolvidos no envelhecimento, e não um só. A reportagem de capa desta edição apresenta as principais linhas de investigação sobre os mecanismos celulares e moleculares associados à senescência, com destaque para a participação brasileira. Dois processos importantes são a perda da capacidade de multiplicação das células, o que dificulta a renovação dos tecidos, e a diminuição da possibilidade de fazer autorreparos no DNA quando surgem defeitos. Outros envolvem organelas como as mitocôndrias, estruturas como os telômeros e o perfil genético de cada pessoa. Mais do que trazer respostas definitivas, o estado da arte da pesquisa ressalta a comple-xidade do problema.

Em outra escala, a de células cultivadas em laboratório, um novo conceito tem obtido sucesso: a cultura tridimensional. Em ambiente bidimensional, como uma placa de Petri, as células formam uma camada plana, distinta de sua organização no organismo vivo. A ideia de promover o cultivo suspenso em um meio de gel permitiu não apenas a proliferação das células, mas a reprodução de sua arquitetura. Reportagem à página 58 mostra como um grupo do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, usando a cultura tridimensional, identificou ligações físicas entre a informação genética no núcleo da célula e o ambiente celular, ampliando o entendimento sobre as relações da célula com o meio que a cerca.

Reportagens sobre lagartas-de-fogo com veneno nas pontas das cerdas e o uso de vespas para o controle biológico do greening, doença que afeta os laranjais, também compõem a edição, mas ela não se restringe à biologia. Em visita ao Brasil, o físico experimental Daniel Kleppner, do Massachusetts Institute of Technology, concedeu entrevista na qual conta sobre suas pesquisas, que permitiram avanços como o Sistema de Posicionamento Global (GPS). Além de suas significativas contribuições para a física atômica, o pesquisador se dedicou à docência, defendendo que ensino e pesquisa andam juntos: “Ensinar deve ser um processo criativo, para encontrar novas maneiras de entender as coisas, o que também é parte do trabalho de pesquisa científica”.

As fotografias no mundo atual são objeto de reportagem à página 84, que mostra como sua onipresença está vinculada não apenas à popularização das câmeras, mas também à ampliação do acesso às viagens turísticas. No final do século XIX, os novos meios de transporte e a concessão de férias remuneradas ampliaram o turismo – e as cobiçadas viagens não seriam completas sem o seu registro, tornando a câmera pessoal um objeto de desejo.

O Instituto Serrapilheira, centro privado dedicado ao fomento de pesquisa nas ciências da vida, ciências físicas, engenharias e matemática, anunciou o início de suas atividades. A iniciativa do documentarista João Moreira Salles é um exemplo positivo de alocação de recursos privados para benefícios públicos, no caso, a pesquisa científica. Sendo bem-sucedido, o Serrapilheira poderá ser inspiração para outras iniciativas semelhantes.


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