Paleontologia

Reclassificando dinossauros

Nova proposta altera a posição na árvore genealógica de vários dinossauros, como o tiranossauro (alto) e o tricerátopo (acima)

Imagem: Wikimedia Commons | Allie_Caulfield/Wikimedia Commons Nova proposta altera a posição na árvore genealógica de vários dinossauros, como o tiranossauro (alto) e o tricerátopoImagem: Wikimedia Commons | Allie_Caulfield/Wikimedia Commons

Em cinco minutos, um modelo computacional formulado por um aluno de doutorado da Universidade de Cambridge, o paleontólogo Matthew Baron, comparou dados referentes a 457 traços anatômicos de 74 espécies de dinossauros. Polêmico, o resultado da análise refutou boa parte do conhecimento acumulado nos últimos 130 anos sobre esses répteis que viveram entre 240 e 66 milhões de anos atrás (Nature, 23 de março). De acordo com o estudo, que propõe novos graus de parentesco entre essas espécies e esboçou rearranjos em sua árvore evolutiva, os dinossauros não devem ser divididos em dois grandes grupos como é feito tradicionalmente. Os livros de paleontologia separam esses répteis em Ornithischia, animais com o quadril semelhante ao das aves, e Saurischia, com essa estrutura anatômica parecida com a de lagartos. Os do primeiro tipo reúnem apenas dinossauros herbívoros, muitos com placas no dorso, como o tricerátopo e o estegossauro. A segunda divisão abrange os terópodes (dinossauros bípedes e carnívoros), como o conhecido tiranossauro, e um conjunto de grandes herbívoros de pescoço longo, os sauropodomorfos. Paradoxalmente, as aves atuais descendem do grupo dos Saurischia, e não dos Ornithischia. Defendida por Baron, a nova classificação sugere que os terópodes sejam reunidos com os Ornithischia em um grupo denominado Ornithoscelida e que os sauropodomorfos sejam unidos aos herrerassaurídeos, um dos primeiros tipos conhecidos de dinossauro, em um redesenhado grupo Saurischia. Outro ponto polêmico do trabalho diz respeito ao suposto local de origem dos dinossauros. Atualmente o material fóssil aponta para a América do Sul como o berço desses répteis, mas o trabalho de Baron sustenta que eles podem ter surgido no hemisfério Norte, talvez onde hoje está a Escócia.