CARREIRAS

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Engenharia humanitária

Caetano Dorea desenvolve projetos de saneamento básico em regiões pobres ou destruídas por guerras e desastres naturais

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | ED. 255 | MAIO 2017

 

Caetano Dorea formou-se engenheiro civil, mas seus projetos vão muito além da gestão e planejamento de obras como barragens, edifícios e viadutos. Desde a graduação ele percorre o mundo, sobretudo regiões pobres ou destruídas por guerras e desastres naturais, promovendo a prevenção de doenças por meio de projetos de saneamento básico em parceria com universidades e organizações não governamentais (ONGs).

Dorea iniciou a graduação na Universidade de Brasília (UnB), em 1994. Um ano depois foi para a Universidade do Kansas, Estados Unidos, onde estudou por dois anos. Voltou para o Brasil em 1997. Após concluir a graduação, em 1999, embarcou para a Inglaterra para cursar o mestrado e o doutorado no Centro de Engenharia de Saúde Ambiental da Universidade de Surrey, com bolsa do Conselho Britânico. Estudou soluções para o abastecimento de água em situações de emergência humanitária, uma das linhas de pesquisa do centro. Desenvolveu um sistema simplificado de tratamento de água por decantação lamelar, que atualmente está sendo implementado pela ONG britânica Oxfam no Sudão do Sul, África, onde 45% da população não tem acesso a fontes de água potável. À época, a Oxfam trabalhava em projetos em parceria com a universidade inglesa.

Seus trabalhos com ONGs estenderam-se por todo o mestrado e doutorado, em regiões acometidas por desastres naturais e conflitos armados. “Buscávamos estabelecer parâmetros de análise para medição da qualidade da água, treinar técnicos locais e implementar métodos de tratamento de água e descarte de resíduos humanos”, explica o engenheiro.

Em 2006 Dorea iniciou um estágio de pós-doutorado nos laboratórios de pesquisa do Ministério da Saúde do Canadá. Um ano e meio depois, voltou para a Europa para trabalhar como professor no Departamento de Engenharia Civil na Universidade de Glasgow, Escócia. Nesse período, foi laureado com o prêmio Green Talents, do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha, por ter estabelecido um centro de pesquisa dedicado ao desenvolvimento de novas tecnologias de saneamento ambiental na universidade escocesa.

Voltou para o Canadá em 2011, agora como professor do Departamento de Engenharia Civil e Hidráulica na Universidade Laval, em Quebec. No início deste ano, transferiu-se para a Universidade de Victoria, na cidade canadense de mesmo nome, onde trabalha na concepção de um novo programa de engenharia civil com foco em questões ambientais e sustentabilidade.

Mesmo no exterior, não deixou de trabalhar com pesquisadores brasileiros. Em 2013, com a Universidade Federal de Rondônia, Dorea desenvolveu ações de saneamento ambiental para a melhoria das condições de saúde das populações ribeirinhas no Rio Madeira. “Gosto do trabalho de campo”, ele diz. “Queria ter feito medicina, mas acabei indo para a engenharia. De qualquer forma, meu trabalho está relacionado à saúde pública”, completa. O projeto terminou em 2016, mas as colaborações continuam, com intercâmbios de estudantes, coautoria de artigos e coorientação de alunos de mestrado e doutorado.


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