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Genética explica cor das penas de caboclinhos e asas atrofiadas de corvo-marinho

ED. 256 | JUNHO 2017

 

Estudos tentam entender a cor da plumagem dos caboclinhos (alto) e a incapacidade de voar do cormorão de Galápagos

Estudos genéticos recentes ajudam a entender algumas características singulares de dois grupos de aves da América do Sul. Um time de biólogos e ornitólogos de Brasil, Argentina e Estados Unidos encontrou pequenas diferenças genéticas responsáveis pela coloração específica da plumagem dos machos de caboclinhos, pequenas aves do gênero Sporophila que vivem em áreas de mata abertas (Science Advances, 24 de abril). Eles sequenciaram o genoma completo de nove das 11 espécies conhecidas da ave e identificaram grandes picos de divergências genéticas em 25 regiões do DNA. Foram identificados 246 genes nessas regiões, boa parte deles associada às vias de produção de melanina, pigmento que gera cores como preto, marrom e distintos tons avermelhados e amarelados. “Essas diferenças genéticas devem ter sido fixadas por um processo de seleção sexual e gerado as plumagens específicas de cada espécie”, sugere Luís Fábio Silveira, curador da coleção de ornitologia do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP), um dos autores do estudo. Em outro trabalho, uma equipe internacional coordenada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla), Estados Unidos, afirma ter encontrado alterações genéticas no DNA da ave Phalacrocorax harrisi, presente apenas nas ilhas Galápagos, que podem explicar o fato de ela ser a única espécie de cormorão (ou corvo-marinho) incapaz de voar. Eles analisaram o genoma da ave de Galápagos e de outras três espécies de cormorão e viram que genes associados a problemas de formação óssea em seres humanos, como o Ift122 e o cux1, mostravam-se mais ativos apenas no Phalacrocorax harris. A disfunção, que faz com que os genes produzam uma quantidade maior de certas proteínas, pode ser a explicação do surgimento de asas atrofiadas do cormorão de Galápagos (Science, 2 de junho).


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