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Recifes marinhos podem ter surgido 20 milhões de anos antes do imaginado

ED. 256 | JUNHO 2017

 

Reconstituição artística de como seria o animal marinho do gênero Namacalathus

Rochas de aproximadamente 550 milhões de anos de idade coletadas no norte do Paraguai guardam vestígios do que podem ter sido os primeiros recifes marinhos formados por organismos visíveis a olho nu. Uma equipe internacional de geólogos e biólogos identificou nas rochas calcárias extraídas em Puerto Vallemí, próximo à fronteira com o Mato Grosso do Sul, fósseis de animais marinhos de três gêneros distintos que viviam em conjunto, ancorados no sedimento depositado por cianobactérias no fundo de um mar raso. Com poucos centímetros de comprimento, os fósseis pertencem a exemplares de Corumbella, Cloudina e Namacalathus, os primeiros seres vivos com esqueleto, que existiram entre 550 milhões e 542 milhões de anos atrás. Essa é a primeira vez que fósseis desses três gêneros são encontrados em amostras de rocha de uma mesma região e a quinta ocorrência no mundo – a primeira na América do Sul – de organismos do gênero Namacalathus, seres cujo esqueleto, formado por uma pequena haste sustentando uma esfera no alto, lembra o botão de uma papoula (Precambrian Research, maio). “Até pouco tempo atrás, acreditava-se que os primeiros recifes tivessem surgido por volta de 530 milhões de anos atrás, constituídos por organismos semelhantes a esponjas calcárias chamadas arqueociatídeos”, conta o geólogo Lucas Warren, pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro e primeiro autor do artigo. “A presença em um mesmo tipo de rocha desses organismos que viveram há 550 milhões de anos sugere que eles já eram capazes de se unir e crescer sobre um mesmo substrato, como ocorre atualmente com os corais em um recife”, explica.


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