CARREIRAS

Print Friendly

Quanto mais dados, melhor

Engenheiro eletricista Jaime de Paula fez da universidade seu laboratório de ideias para criar sua própria empresa de big data

RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | ED. 257 | JULHO 2017

 

O engenheiro eletricista Jaime de Paula sempre gostou de transitar na fronteira do conhecimento. Em 1982, três anos após ingressar no curso de engenharia elétrica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), juntou-se à equipe de analistas de sistemas da Companhia de Desenvolvimento de Dados do Estado de Santa Catarina, em uma época em que existiam poucos cursos de ciências da computação no Brasil. Saiu de lá em 1986 como gerente de projetos.

No ano seguinte, ingressou na Perdigão, onde trabalhou no desenvolvimento e na implementação de sistemas computacionais para ajudar a eliminar processos desnecessários que atrapalhavam a tomada de decisão nas áreas comercial, industrial, financeira e administrativa. Anos mais tarde, em 1993, foi para a empresa de revestimentos cerâmicos Cecrisa para desenvolver o plano diretor de tecnologia da informação da companhia, integrando-o ao seu planejamento estratégico.

À medida que o conhecimento nessa área avançava, percebeu que precisava se atualizar. Decidiu voltar para a UFSC e fazer mestrado em 1997. “Estudei o uso de sistemas de inteligência artificial no gerenciamento de múltiplas bases
de dados”, conta. Já no doutorado, iniciado em 1999, investiu na área de comércio eletrônico. “A pós-graduação foi importante para que eu pudesse testar e absorver novos conceitos e avaliar como eles poderiam ser usados em projetos futuros”, explica.

Na mesma época, Jaime participou de um projeto com a Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e a Secretaria Estadual de Segurança de São Paulo para desenvolver um sistema de inteligência artificial capaz de integrar informações registradas em ocorrências policiais e gerar grandes quantidades de dados para ajudar a caracterizar operações de organizações criminosas.

A experiência o fez reorientar sua pesquisa de doutorado para uma área hoje conhecida como big data, à época incipiente no país. “O fluxo de dados na internet aumentava de forma exponencial, e ninguém sabia o que fazer com todas aquelas informações. Percebi que havia uma demanda por sistemas que pudessem processá-las de modo a convertê-las em planos de negócio”, explica.

Foi quando surgiu a oportunidade de aproveitar seu conhecimento no segmento comercial. Jaime passou a trabalhar no desenvolvimento de sistemas de coleta, organização e análise de dados com o propósito de oferecer suporte à gestão de negócios. Fundou, então, a Neoway em 2002 com o objetivo de transformar informações corporativas em ferramentas que orientassem a tomada de decisão. “Oferecemos um conjunto de plataformas de coleta, organização e análise de informações de empresas de diversos segmentos”, conta.

O trabalho, segundo ele, consiste em organizar as informações das empresas e complementá-las com dados públicos, de modo a aprimorar o processo de tomada de decisão e orientar seus planos de negócio. A Neoway tem hoje escritórios em Florianópolis, São Paulo e Nova York. “Pretendemos inaugurar mais duas unidades, na Colômbia e no México, ainda este ano”, projeta.


Matérias relacionadas

VINÍCIUS GARCIA DE OLIVEIRA
Internet das Coisas pode aumentar a produtividade da economia
PESQUISA BRASIL
Cromossomo X inativo, Ciência Cidadã, Ig Nobel e Internet das Coisas
CARLOS CARVALHO
Tomógrafo inovador auxilia pacientes que respiram com ajuda de aparelhos