BOAS PRÁTICAS

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A geografia da autocitação

ED. 258 | AGOSTO 2017

 

Um truque desonesto utilizado por pesquisadores para inflar o impacto de sua produção científica é o abuso da autocitação. Isso ocorre quando o autor, ao escrever um artigo, menciona sem necessidade vários de seus trabalhos anteriores, a fim de aumentar o número de citações. Um estudo publicado no Journal of Occupational and Organizational Psychology por pesquisadores da Universidade de Leuven, na Bélgica, sugere que o excesso de autocitação é um fenômeno mais detectado entre autores que residem em países em que o individualismo e a competitividade se acentuam como traços culturais, como Estados Unidos e Reino Unido. “Nesses países, há uma ênfase no desenvolvimento pessoal, o que cria condições para se reforçar práticas de autopromoção”, escreveu Nick Deschacht, autor principal do estudo, em um post no blog da London School of Economics and Political Science, no Reino Unido.

A autocitação é menos frequente, segundo o estudo, em países onde predomina uma cultura classificada como mais coletivista, como China e Coreia do Sul. Deschacht e sua equipe analisaram o número de autocitações em 1.346 artigos publicados entre 2009 e 2014 nas áreas de gestão e negócios. Em países “individualistas”, 13% fizeram cinco ou mais autocitações nos trabalhos analisados, em oposição a apenas 7% dos autores de países apontados como “coletivistas”.


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