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DNA, agora para registrar filmes

ED. 258 | AGOSTO 2017

 

A imagem original (à esq.) e a reconstituída com dados recuperados do DNA das bactérias (à dir.)

A imagem da pessoa cavalgando abaixo faz parte de um pequeno vídeo feito com a informação recuperada de um material nunca usado antes com essa finalidade: a molécula de DNA. Geneticistas da Universidade Harvard, Estados Unidos, usaram trechos de DNA para codificar os pontos escuros e claros de imagens de um homem galopando, feitas em 1878 pelo fotógrafo inglês Eadweard Muybridge (1830-1904). Depois, implantaram esses trechos no DNA de bactérias usando a técnica de edição de genes CRISPR-Cas (ver Pesquisa FAPESP no 240). Ao se reproduzirem, as bactérias transmitiram a informação para seus descendentes. A seguir, os pesquisadores recuperaram os dados codificados no genoma das bactérias e reconstituíram o filme com 90% de precisão (Nature, 12 de julho). O experimento indica a possibilidade de usar células vivas para armazenar informações. Bactérias poderiam ajudar no monitoramento ambiental ao guardar registros de metais pesados e outros poluentes. “Estamos tentando desenvolver um gravador molecular que possa ser inserido nas células para coletar informação ao longo do tempo”, disse o geneticista Seth Shipman, autor do estudo, ao jornal britânico The Guardian. Assim, talvez se torne possível programar neurônios para registrar informação do cérebro em desenvolvimento.


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