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Estoques de tambaqui em declínio

ED. 258 | AGOSTO 2017

 

Tambaqui, um dos preferidos nas mesas de Manaus

Entrevistas com 392 pescadores de comunidades rurais dos arredores de Manaus sugerem que a captura excessiva do tambaqui (Colossoma macropomum) está afetando os estoques desse peixe ao longo de até mil quilômetros do rio Purus, um afluente do rio Solimões. O tambaqui é um dos pratos preferidos na capital amazonense, uma metrópole com mais de 2 milhões de habitantes imersa na floresta. O tamanho do peixe reduziu-se pela metade e a frequência de sua captura também diminuiu, segundo estudo feito por pesquisadores de universidades brasileiras e do Reino Unido (PNAS, 24 de julho). Eles perguntaram aos pescadores o tamanho e a quantidade de tambaquis capturados nos dias anteriores à entrevista para obter uma estimativa das características das populações do peixe à medida que se afastava da metrópole. Em média, os tambaquis pescados no Purus a distâncias de até 500 quilômetros (km) de Manaus pesavam cerca de 2,5 quilos (kg). A mil km da capital amazonense, atingiam 4,5 kg. A diminuição dos tambaquis de grande porte representa um problema econômico para os pescadores das comunidades próximas a Manaus. Com a redução do número de exemplares maiores, que alcançam preços mais altos no mercado, a renda cai. Além disso, o aumento da captura dos peixes menores, que nem sempre alcançaram a idade reprodutiva, pode prejudicar a capacidade de renovação dos estoques e tornar sua pesca insustentável no longo prazo. A sobrepesca do tambaqui também pode afetar seu papel ecológico de dispersor de sementes, uma vez que os peixes menores as transportam por distâncias também menores. Os autores do estudo atribuem o declínio nos estoques na região de Manaus à demanda elevada e à facilidade de conservação e transporte proporcionada por barcos de grande porte, que abastecem com gelo os pequenos pescadores e deles compram o peixe.


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