NOTAS

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O próton e o anti-hidrogênio

ED. 258 | AGOSTO 2017

 

As trajetórias do átomo de anti-hidrogênio em experimento realizado em 2016, no Cern (no alto), e a armadilha Penning, usada para aprisionar prótons

Duas notícias do mundo atômico. A primeira é que aumentou a precisão com que se mede a massa do próton, a partícula de carga elétrica positiva que é um dos componentes básicos do núcleo de todos os átomos. A massa do próton é um dos fatores que determinam o movimento dos elétrons ao redor do núcleo atômico. Equipes do Instituto Max Planck de Física Nuclear, da Alemanha, e dos Laboratórios Riken, do Japão, obtiveram um valor três vezes mais preciso do que nas medições anteriores. A nova medição foi realizada por meio da comparação de um único próton em movimento em um campo magnético com a massa de um núcleo de carbono 12, formado por seis prótons e seis nêutrons e usado como padrão de massa atômica. Com uma precisão de 32 partes por trilhão, o novo valor da massa do próton é 1,007276466583 unidade de massa atômica, um pouco menor do que a medida anteriormente (Physical Review Letters, 18 de julho). A segunda notícia é que um grupo de 50 físicos de 17 instituições de pesquisa comunicou ter feito a primeira observação detalhada das linhas espectrais finas de um átomo de antimatéria, o anti-hidrogênio – ele tem as mesmas características que o hidrogênio, mas é formado por partículas com carga elétrica oposta –, em um dos equipamentos da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern), na fronteira da Suíça com a França. Os pesquisadores irradiaram átomos de anti-hidrogênio com micro-ondas. Em resposta, os antiátomos revelaram sua identidade emitindo ou absorvendo energia em frequências específicas – são as linhas espectrais, características para cada átomo, como as impressões digitais das pessoas. Como se esperava, as linhas espectrais do anti-hidrogênio corresponderam muito bem às do hidrogênio, já bem conhecidas (Nature, 3 de agosto).


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