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Médico francês é condenado por conflito de interesses

ED. 259 | SETEMBRO 2017

 

O pneumologista francês Michel Aubier, de 69 anos, foi condenado a pagar multa de € 50 mil e a seis anos de prisão, com direito a recorrer em liberdade, por mentir em uma audiência no Senado da França. Há dois anos, Aubier deu um depoimento a parlamentares minimizando os riscos à saúde causados pela poluição do ar. Ele afirmou que a ligação entre o câncer pulmonar e a poluição, incluindo a fumaça de óleo diesel, é “extremamente fraca”. Assegurou que não tinha nenhum conflito de interesse nem vínculo com empresas, mas os jornais franceses Le Canard Enchaîné e Libération mostraram, meses depois, que desde 1997 o nome do médico estava na folha de pagamentos da petrolífera Total e que ele tinha € 150 mil em ações da empresa. Aubier foi chefe do Departamento de Pneumologia do Hospital Bichat-Claude Bernard, em Paris, e professor da Universidade Paris Diderot.

Em março de 2016, o médico afirmara em uma entrevista que a poluição não é cancerígena, exceto em concentrações muito altas e principalmente no caso dos fumantes. Um grupo de médicos franceses publicou uma resposta indignada, enumerando evidências que vinculam a poluição ao câncer.

Ao proferir a sentença, a juíza Evelyne Sire-Marin enfatizou a gravidade de mentir sobre um assunto de interesse público.


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