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Universidade

Vahan Agopyan é o novo reitor da USP

Professor da Escola Politécnica encabeçava a lista tríplice enviada ao governador Geraldo Alckmin

Marcos Santos / USP ImagensAgopyan durante entrevista em 2011Marcos Santos / USP Imagens

O engenheiro Vahan Agopyan foi nomeado reitor da Universidade de São Paulo (USP) pelo governador Geraldo Alckmin na última segunda-feira (13). Vice-reitor na gestão do atual reitor, Marco Antonio Zago, e professor titular da Escola Politécnica (Poli), Agopyan, de 65 anos, encabeçava a lista tríplice de candidatos à reitoria por ter recebido o maior número de votos do colégio eleitoral que se reuniu em 30 de outubro. Ele assumirá o cargo no dia 25 de janeiro de 2018 para um mandato de 4 anos.

A chapa vencedora, composta por Agopyan como candidato a reitor e Antonio Carlos Hernandes, professor titular do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), como vice, teve 1.092 votos. Em segundo lugar ficou a chapa de Maria Arminda do Nascimento Arruda e Paulo Borba Casella (840 votos) e, em terceiro, Ildo Luis Sauer e Tércio Ambrizzi (594 votos). Uma quarta chapa, a de Ricardo Ribeiro Terra e Albérico Borges Ferreira da Silva, recebeu 163 votos. Cada um dos 1.949 eleitores poderia votar em até três nomes. O colégio eleitoral é composto por integrantes do Conselho Universitário, dos Conselhos Centrais (Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Cultura e Extensão Universitária), das Congregações das Unidades e dos Conselhos Deliberativos de Museus e Institutos Especializados. A prerrogativa da escolha de um dos nomes da lista tríplice é do governador.

Em entrevista à Pesquisa FAPESP, Agopyan falou sobre os desafios da gestão da universidade. “Quando assumi a vice-reitoria em 2014, a USP começava a enfrentar uma grave crise financeira. Hoje o risco de colapso está superado e, por isso, devemos virar a página, mas sem perder de vista a política de austeridade”, diz Agopyan, que é formado em engenharia civil pela Poli, com doutorado pela King’s College London. Nos últimos anos, a crise levou o atual reitor, Marco Antonio Zago, a reduzir os gastos com a folha de pagamentos, que consomem 98% dos cerca de R$ 5 bilhões repassados neste ano à instituição pelo tesouro estadual. O déficit vem caindo: em 2016, foi de R$ 660 milhões, ante R$ 988 milhões em 2015 e R$ 1 bilhão em 2014.

“Reduzimos 20% do quadro de funcionários não docentes da USP. Nos próximos anos, não pretendo promover mais cortes, mas sim investir em treinamento em gestão, como forma de qualificar nossos funcionários”, propõe Agopyan, alertando que não poderá abrir vagas por pelo menos mais um ano.

O novo reitor diz que é necessário ampliar a interação da USP com a sociedade. De acordo com ele, isso inclui apostar em práticas de ensino que levem alunos de graduação e pós-graduação a ter contato com problemas reais enfrentados pela população. “Isso é importante para mostrar à sociedade a importância do ensino e da pesquisa promovidos pela USP”, afirma Agopyan.

Outro ponto que merece mais atenção, na sua avaliação, é a transferência de conhecimento produzido na universidade. “A USP ainda faz isso de maneira tímida”, observa Agopyan. “Minha proposta é de ampliar e acelerar iniciativas de transferência do conhecimento à sociedade, por meio, por exemplo, da realização de cursos de extensão e convênios com empresas”.

Para um ambiente saudável de pesquisa, Agopyan enfatiza o papel da reitoria na promoção de medidas que simplifiquem a vida dos pesquisadores. “Devemos criar mais centros de apoio administrativo, para ajudar os pesquisadores a lidar com questões burocráticas, e também investir na manutenção de laboratórios multiusuários”, afirma o novo reitor.

Professor da USP desde 1975, Agopyan foi diretor da Poli e diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Foi presidente do Conselho Superior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e membro do Conselho Superior da FAPESP. Nos últimos anos, dedicou-se a estudos de qualidade e sustentabilidade na construção civil. Já o novo vice-reitor, Antonio Carlos Hernandes, é professor do IFSC desde 2008. Graduou-se em Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e obteve título de doutor em Física Aplicada pela USP.