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Unicamp adota cotas raciais a partir de 2019

Conselho Universitário aprovou mudanças na forma de ingresso na graduação

FABRÍCIO MARQUES | Edição Online 12:57 22 de novembro de 2017

 

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai mudar a forma de ingresso em seus cursos de graduação a partir de 2019. A principal novidade aprovada pelo Conselho Universitário (Consu) na tarde desta terça-feira (21) é a adoção de um sistema de cotas étnico-raciais que irá reservar 25% das vagas disponíveis na instituição para candidatos que se autodeclarem negros e pardos. Segundo o físico Marcelo Knobel, reitor da Unicamp, cerca de 20% dos alunos que ingressam anualmente na universidade são pretos e pardos. “Nossa intenção, com o sistema de cotas, é ampliar esse contingente para 37%, que é a proporção de jovens pretos e pardos na população paulista”, afirma.

Há outras inovações, como criação de um vestibular específico e com conteúdo próprio para indígenas e a possibilidade de ingresso sem vestibular para estudantes que forem medalhistas de olimpíadas científicas – em ambos os casos, o número de vagas a ser oferecido será definido pelas unidades da universidade. Além disso, 20% das vagas poderão ser disputadas segundo o desempenho dos candidatos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – o vestibular se mantém como via de ingresso de 80% das vagas.  “Foi criado um leque de possibilidades que amplia as chances de acesso e mostra a força da universidade pública em propor ideias novas para o ingresso dos estudantes”, diz Knobel.

Os dois principais programas de ação afirmativa da Unicamp serão preservados, mas sofrerão mudanças. No caso do Programa de Ações Afirmativas para Inclusão Social (Paais), criado em 2004, a bonificação na nota do vestibular para os estudantes egressos de escolas pública será reduzida. Atualmente, alunos da rede pública recebem uma bonificação de 60 pontos na primeira fase do vestibular além de 90 pontos na segunda fase – se forem autodeclarados pretos, pardos ou indígenas, têm direito, hoje, a outros 30 pontos. No novo modelo, o teto do bônus passa a ser de 40 pontos para quem fez o ensino médio em escolas públicas, acrescido de outros 20 pontos na primeira e na segunda fase do vestibular caso o candidato também tenha feito o segundo ciclo do ensino fundamental no sistema público.

A pontuação que vigorou nos últimos dois anos, afirma Knobel, foi considerava excessiva e distorcia de forma exagerada os resultados do vestibular, principalmente em carreiras muito concorridas, como medicina e arquitetura. No caso do bônus para quem fez o ensino fundamental em escola pública, a intenção é tentar atingir um conjunto maior de estudantes com perfil socioeconômico mais baixo.

Outro programa, o ProFIS (sigla para Programa de Formação Interdisciplinar Superior), deverá ser ampliado para atingir um público maior do que o atual. O ProFIS seleciona os melhores alunos do 3º ano de ensino médio público de Campinas, com base nas notas do Enem, e lhes oferece um curso de dois anos com conteúdo multidisciplinar. Ao final deste curso, têm a chance de ingressar na graduação da Unicamp sem passar pelo vestibular.


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