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Pequenas aldeias pré-coloniais da região Norte eram independentes

ED. 262 | DEZEMBRO 2017

 

Cerâmicas de sítios arqueológicos de Santarém trazem figuras híbridas de pessoas e animais

Um trabalho da arqueóloga Denise Maria Cavalcante Gomes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende a ideia de que os povos ameríndios que viveram entre os anos 1000 e 1600 na região onde hoje está Santarém, no oeste do Pará, tinham sociedades complexas com alguma organização sociopolítica, marcada pela existência de chefias emergentes, mas não chegaram a viver sob um poder centralizado (Cambridge Archeological Journal, maio de 2017). Entre 2006 e 2016, a pesquisadora estudou a disposição e a estrutura de 30 sítios arqueológicos dispersos por uma área de 500 quilômetros quadrados e analisou a iconografia de cerâmicas encontradas na região e relatos etno-históricos de cronistas que passaram pela Amazônia entre os séculos XVI e XVII. Onde hoje fica o centro de Santarém, existiam duas grandes aldeias que, no passado, eram separadas por um lago, hoje aterrado. De acordo com datações de carbono 14, elas foram contemporâneas e exibiam grande densidade demográfica. Suas populações se relacionavam, caçavam e pescavam à beira do rio Tapajós. Segundo Denise, houve no século XIV, nessas duas aldeias, uma explosão demográfica que gerou conflitos e distinções sociais entre seus habitantes. Esse cenário teria motivado a dispersão de parte de seus moradores por vilarejos menores e independentes. “As cerâmicas de todos os sítios contêm figuras híbridas de gente e animais, o que remete à noção de transformação corpórea, aludindo à ideia de instabilidade”, comenta a arqueóloga.


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