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História

Pulgas, piolhos e a peste na Idade Média

wikimedia commons Reprodução da obra Peste, de 1898, do pintor simbolista suíço Arnold Böcklinwikimedia commons

Talvez os ratos e suas pulgas não sejam os principais responsáveis pela rápida disseminação da bactéria Yersinia pestis pela Europa, pelo Oriente Médio e pelo Norte da África durante a segunda e mais longa pandemia de peste da história, que durou do século XIV ao XIX e teria matado cerca de um terço da população dessas regiões. Ainda hoje ocorrem surtos na Ásia, na África e nas Américas, nos quais a bactéria é transmitida principalmente por meio da picada de pulgas de roedores infectados ou por partículas expelidas por tosse e espirros de pessoas com os pulmões contaminados. Mas pouco se sabe sobre o avanço da doença na Idade Média. Alguns estudos sugerem que pulgas (Pulex irritans) e piolhos humanos (Pediculus humanus) pudessem ter disseminado a peste durante a segunda pandemia. Um dos indícios a favor dessa hipótese é que não há registros históricos de aumento na mortalidade de ratos antecedendo os casos em seres humanos, como se verificou a partir do século XIX, na terceira pandemia. Alguns trabalhos sugerem ainda  que o clima no norte da Europa na Idade Média não tenha favorecido a dispersão de ratos e também há indícios recentes de que os parasitas humanos podem transmitir a bactéria. Partindo desses pressupostos, pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, e da Universidade de Ferrara, na Itália, criaram três modelos matemáticos para explicar a dinâmica da dispersão da peste – por parasitas humanos, pela transmissão direta ou por parasitas de roedores – em nove epidemias que atingiram a Europa entre 1348 e 1813.  Em seguida, compararam os resultados com os registros históricos das mortes ocorridas na época. A transmissão por piolhos e pulgas humanos foi a que melhor explicou o padrão de mortalidade em sete dos nove surtos (PNAS, 16 de janeiro).