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As origens da malária na América do Sul

ED. 265 | MARÇO 2018

 

A espécie predominante de parasita causador da malária no Brasil e em países vizinhos, o Plasmodium vivax, deve ter começado a entrar na América do Sul com as primeiras migrações humanas, entre 25 mil e 10 mil anos atrás, vindas do sul da Ásia e da Oceania, de acordo com um estudo do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) (Scientific Reports, 31 de janeiro). Essa conclusão ajuda a entender a diversidade genética do P. vivax no Brasil, muito mais elevada que na África, de onde veio outra espécie causadora da malária, o P. falciparum. Segundo o parasitologista Marcelo Urbano Ferreira, professor do ICB-USP e coordenador do trabalho, o P. vivax pode ter chegado às Américas já com as primeiras migrações humanas. A comparação de trechos do DNA mitocondrial de 244 amostras de P. falciparum e 127 de P. vivax de países da América do Sul, África, Ásia e Oceania explicou a elevada diversidade genética do P. vivax  no Brasil (ver Pesquisa FAPESP nº 129) e confirmou que os P. falciparum encontrados atualmente na América do Sul devem ter vindo diretamente do continente africano. O trabalho atual também examinou as possíveis origens do P. simium, indistinguível genética e morfologicamente do P. vivax. “As análises do genoma mitocondrial indicaram que o P. simium é uma forma de P. vivax que teria sido transmitida de seres humanos para macacos da Mata Atlântica”, diz Ferreira. Depois, o P. simium se adaptou ao macaco e fez o caminho de volta, infectando pessoas por meio da picada de mosquitos (ver Pesquisa FAPESP nº 262).


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