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Fezes de aves marinhas influenciam ciclo global de nutrientes

ED. 265 | MARÇO 2018

 

Colônia de pinguim-de-testa-amarela (Eudyptes chrysolophus), uma das espécies que liberam nitrogênio e fósforo nas regiões costeiras

Todos os anos, milhares de aves marinhas depositam toneladas de nitrogênio e fósforo nas colônias em que vivem por meio de seus excrementos (guano). Assim, desempenham um importante papel no ciclo de nutrientes nas regiões costeiras do planeta. O impacto do guano desses animais no ciclo de nutrientes foi analisado por um grupo internacional de pesquisadores, entre eles o engenheiro-agrônomo Tiago Osorio Ferreira, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). Os pesquisadores estimaram a população mundial de aves marinhas em 840 milhões de indivíduos de 320 espécies, distribuídos em 3 mil colônias. Em seguida, submeteram os dados a um modelo bioenergético, que considera o tamanho do animal, o tipo de alimentação, a eficiência energética e o tempo de permanência nas colônias reprodutoras. Desse modo, inferiram o total de nitrogênio e de fósforo excretado pelas aves. Por ano, elas lançam 591 mil toneladas de nitrogênio e 99 mil toneladas de fósforo no ambiente, sobretudo nas colônias nos oceanos Ártico e Austral, onde estão as aves maiores, como o pinguim-de-testa-amarela (Eudyptes chrysolophus). “Isso equivale ao nitrogênio e fósforo aportado por todos os rios do mundo para o oceano”, explica Ferreira. Nessas regiões, o guano serve de adubo para plantas e de alimento para micróbios (Nature Communications, 23 de janeiro). Parte das fezes se dissolve no oceano e desencadeia processos químicos, biológicos e geológicos na costa. “As aves marinhas podem ter um papel-chave na transferência de nutrientes do oceano para o continente”, completa o pesquisador.


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