EDITORIAL

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Polêmica na mesa

ALEXANDRA OZORIO DE ALMEIDA - DIRETORA DE REDAÇÃO | ED. 265 | MARÇO 2018

 

Os métodos de preservação e processamento de alimentos, que vêm sendo aperfeiçoados há milhares de anos, são fundamentais para a saúde e o bem-estar da humanidade. Conservar a carne no sal permitiu que ela fosse transportada por distâncias maiores; pasteurizar o leite elimina bactérias que fazem mal à saúde e aumenta a vida do produto. Problemas surgem quando não é mais uma questão de conservação, isto é, quando sal, açúcar e gordura, entre outras substâncias, são acrescidos aos alimentos não só para estender sua vida útil, mas para tornar seu gosto mais atraente para o consumidor.

A atenção a esse aspecto da transformação levou a uma proposta de reclassificação dos alimentos, não mais a partir da composição de macronutrientes (proteínas, carboidratos e gorduras), mas sim com base no seu grau de processamento. Chamada de Nova, a proposta apresentada em 2009 divide os alimentos em quatro grupos: in natura (em seu estado natural), ingredientes alimentares (sal, açúcar, óleos), minimamente processados e ultraprocessados. A última categoria, considerada a mais preocupante, especialmente quando representa uma parcela significativa da alimentação de uma pessoa ou população, é composta por produtos alimentícios industriais, prontos para consumo, feitos total ou quase integralmente de substâncias extraídas de alimentos (como óleos, gorduras, açúcar) ou sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes e realçadores de sabor, por exemplo).

A reportagem de capa desta edição mostra que a reclassificação não é consensual, mas pode ser útil para estudar a crescente incidência de doenças como diabetes e obesidade em todo o mundo. Esses alimentos não explicam por si sós o problema, que tem muitas causas, mas estudos começam a mostrar que o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados tem efeito nocivo sobre a saúde humana.

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A Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais, deve entregar em abril a primeira encomenda de sua nova geração de jatos. Os testes de voo do E190-E2, avião com capacidade para 114 passageiros, apresentaram um resultado superior ao esperado: a aeronave emite menos poluentes, tem maior alcance de voo e é mais econômica e silenciosa do que havia sido especificado pela companhia.

A expertise dos engenheiros da Embraer em projetar e desenvolver aeronaves combinou inovações, como o novo desenho da asa, com outros aperfeiçoamentos, como novos motores mais eficientes e melhoria do fly-by-wire – sistema que controla as peças móveis nas asas e cauda do avião –, resultando no mais eficiente jato de corredor único do mercado. Reportagem conta como o desempenho do avião resulta de um intenso trabalho de pesquisa e desenvolvimento da empresa, interno e em colaboração com parceiros.

Esta edição de Pesquisa FAPESP retoma alguns temas importantes abordados em edições anteriores. A febre amarela, capa da edição de janeiro, é retomada na seção Memória, que conta a história de uma primeira tentativa de vacina contra a doença, então pensada como sendo transmitida por uma bactéria, e não um vírus. Reportagem apresenta a regulamentação de cinco leis voltadas para a resolução de entraves burocráticos às atividades de pesquisa, o incentivo à inovação em empresas e o reforço de elos entre o setor privado e as instituições de ensino superior e pesquisa.


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