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Três notícias sobre a febre amarela

ED. 265 | MARÇO 2018

 

Vacina produzida em Bio-Manguinhos, no Rio, agora aplicada em dose fracionada

Há uma notícia boa e duas preocupantes sobre a febre amarela. A boa é que um teste realizado na República Democrática do Congo indicou que a dose fracionada da vacina, produzida no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro, ativou a produção de anticorpos contra o vírus causador da doença em níveis similares à dose padrão. A dose fracionada contém 0,1 mililitro (mL), um quinto da usada anteriormente nas campanhas de vacinação. Pesquisadores dos Estados Unidos analisaram amostras de sangue de 716 pessoas vacinadas em 2016 em Kinshasa. Dessas, 705 desenvolveram anticorpos contra o vírus (New England Journal of Medicine, 14 de fevereiro). Em janeiro, o Ministério da Saúde do Brasil decidiu adotar a dose de 0,1 mL para imunizar 20 milhões de pessoas em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia e tentar conter a epidemia de febre amarela silvestre atual (ver Pesquisa FAPESP nº 264). Uma notícia que gerou apreensão é que o vírus pode continuar ativo por mais tempo do que se imaginava no organismo de quem o contrai. Em um estudo coordenado pelos virologistas Edison Durigon, Paolo Zanotto e Danielle Oliveira, da Universidade de São Paulo, a pesquisadora Carla Barbosa identificou o vírus na urina e no sêmen de um homem quase um mês depois de ele ter sido infectado (Emerging Infectious Diseases, 1º de janeiro). O resultado sugere que o período de transmissão pode ir além do esperado. Outra notícia preocupante: em fevereiro, pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, no Pará, informaram ter encontrado o vírus da febre amarela em exemplares do mosquito Aedes albopictus capturados em 2017 em áreas rurais de Minas Gerais. Não se sabe se a espécie – aparentada do Aedes aegypti, que transmite a doença no ciclo urbano – passa o vírus aos seres humanos.


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