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Acesso mais difícil aos telescópios do ESO

ED. 266 | ABRIL 2018

 

Observatório Paranal, do ESO, no deserto de Atacama, no Chile

Desde 1º de abril tornou-se um pouco mais difícil para os astrônomos brasileiros competir por tempo de observação em alguns dos mais avançados telescópios do mundo. O conselho do Observatório Europeu do Sul (ESO), consórcio de 15 países europeus que gerencia modernos e potentes equipamentos astronômicos situados no Chile, decidiu em 7 de março suspender temporariamente o acordo de adesão do Brasil ao grupo na posição de membro-pleno (o único não europeu além do Chile). A entrada do país no consórcio havia sido aprovada pelo conselho do ESO em dezembro de 2010 e ratificada pelo governo brasileiro. Referendado pelo Congresso Nacional em maio de 2015, o acordo de adesão dependia, desde então, da sanção presidencial e do início dos pagamentos. O país se comprometeu a contribuir com € 270 milhões, desembolsados ao longo de 10 anos. A posição de membro-pleno garantiria aos astrônomos brasileiros disputar tempo de observação em pé de igualdade com os europeus em equipamentos como o Atacama Large Milimeter/Submilimeter Array (Alma), o maior conjunto de radiotelescópios do mundo, ou o Very Large Telescope (VLT), formado por quatro telescópios com espelho de 8,2 metros de diâmetro. Também permitiria à indústria nacional participar de editais para a construção de novos equipamentos, como o Extremely Large Telescope (ELT), que deve ser o maior telescópio óptico do mundo. Em nota divulgada em 12 de março, o ESO informou que o processo de adesão estaria suspenso até o Brasil “se encontrar em condições de executar o acordo” e afirmou que continua aberto a acolher o país. A suspensão não deve afetar as colaborações em andamento. Em nota, o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações informou que “defende a participação do Brasil no ESO e que faz gestões junto ao governo federal pela confirmação da adesão a essa entidade multilateral”. A restrição de acesso aos equipamentos do ESO, porém, não deve impedir avanços da astronomia nacional. Acordos realizados pela FAPESP garantem tempo de uso no Giant Magellan Telescope (GMT), com espelho de 24,5 metros; no Grande Arranjo Milimétrico Latino-americano (Llama), que poderá funcionar associado ao Alma; no Cherenkov Telescope Array (CTA), que estudará raios gama de alta energia; e no Javalambre Physics of the Accelerating Universe Astrophysical Survey (J-PAS), que deve produzir um mapa tridimensional da matéria no Universo.


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