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As mais antigas tatuagens figurativas

ED. 266 | ABRIL 2018

 

Corpo mumificado do Homem de Gebelein A, visto sob luz natural, e as tatuagens no braço direito observadas sob luz infravermelha

Adornar o corpo com tatuagens já era moda há mais tempo do que se imaginava. Dois corpos naturalmente mumificados que integram o acervo do Museu Britânico, em Londres, exibem o que os arqueólogos consideram ser as tatuagens figurativas mais antigas de que se tem notícia. As duas múmias (um homem e uma mulher) foram encontradas em covas rasas no fim do século XIX em Gebelein, no sul do Egito. As duas múmias – e outras quatro escavadas no mesmo sítio arqueológico – estão expostas há décadas, mas as tatuagens só foram identificadas em uma análise recente, parte de um novo programa de pesquisa e conservação do museu. Foi necessário usar câmeras que detectam luz infravermelha para observar as tatuagens, pouco visíveis sob iluminação natural. Conhecido como Homem de Gebelein A, a múmia masculina, de um jovem morto com uma facada nas costas, exibe no braço direito duas imagens de animais com chifres. Para os pesquisadores, elas representariam um touro e um carneiro e seriam símbolo de força e poder. Já a Mulher de Gebelein tem uma tatuagem no ombro e outra no braço direito – as mais antigas encontradas em um corpo feminino. Uma delas consiste em uma sequência de quatro símbolos semelhantes à letra S (Journal of Archaeological Science, 1º de março). A datação indica que o homem e a mulher de Gebelein viveram entre 5.400 e 5 mil anos atrás, antes da unificação do Egito sob o comando do primeiro faraó, Menés. Em um comunicado à imprensa, Daniel Antoine, curador de antropologia física do museu, disse que o achado indica que a prática de tatuar o corpo começou na África um milênio antes do que se pensava. Essas tatuagens figurativas são quase contemporâneas à que ainda é considerada a mais antiga: os desenhos geométricos no corpo de Ötzi, o homem do gelo encontrado nos Alpes entre a Áustria e a Itália.


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