BOAS PRÁTICAS

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Startup bilionária e fraudulenta

ED. 266 | ABRIL 2018

 

Elizabeth Holmes em um evento em 2014: declarações falsas

Uma fraude no universo de startups do Vale do Silício foi alvo de punição severa. A Securities and Exchange Commission (SEC), agência federal que regula mercados de capitais nos Estados Unidos, acusou formalmente a empresa de biotecnologia Theranos, sua fundadora, Elizabeth Holmes, e o ex-presidente da companhia Ramesh Balwani de cometerem “uma fraude elaborada que durou anos, em que exageraram ou fizeram declarações falsas sobre a tecnologia, os negócios e o desempenho financeiro da empresa”. Para resolver o caso no âmbito da agência, Elizabeth Holmes aceitou pagar uma multa de US$ 500 mil e devolver os 18,9 milhões de ações da empresa que detinha. Dona de 50% da companhia, ela chegou a ter uma fortuna avaliada em US$ 4,5 bilhões e foi comparada a empreendedores como Steve Jobs e Mark Zuckerberg. Todo o dinheiro arrecadado pela empresa a partir de agora será destinado a indenizar investidores.

Com sede em Palo Alto, na Califórnia, a Theranos dizia ter desenvolvido um equipamento para testes sanguíneos batizado de Edison, que seria capaz de fazer diversos tipos de exames, de colesterol a câncer, a partir da análise de poucas gotas de sangue. A startup chegou a levantar US$ 750 milhões de investidores, entre os quais Larry Ellison, fundador da Oracle. Há dois anos uma reportagem do The Wall Street Journal mostrou que a tecnologia não estava madura nem tinha escala. Os funcionários da empresa tinham dúvidas sobre a precisão dos exames – eles detectavam, por exemplo, índices mais baixos de colesterol do que os testes comuns. A promessa de chegar a um diagnóstico a partir de poucas gotas de sangue também era inflada, ainda que o método requeresse menos quantidade de sangue do que o usualmente necessário. Em uma ação fraudulenta, a empresa escondia estar utilizando métodos e equipamentos convencionais para produzir seus testes. Dos 240 tipos de exames oferecidos no site da Theranos, apenas 15 eram feitos pelo Edison.

Em vez de gerar receitas prometidas de US$ 100 milhões em 2014, só alcançou a cifra de US$ 100 mil. “A história da Theranos é uma lição importante para o Vale do Silício”, disse Jina Choi, diretora do escritório regional da SEC em São Francisco, segundo a agência Reuters. “Empreendedores que se propõem a revolucionar ou produzir inovações disruptivas em um setor precisam falar a verdade aos investidores sobre o que sua tecnologia é realmente capaz de fazer, em vez de dizer o que se espera que ela faça um dia.”


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