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Ambiente

Para reduzir a poluição caseira

No mundo, 2,7 bilhões de pessoas cozinham em fogões a lenha ou carvão

Eduardo Cesar

Um artigo de revisão publicado em fevereiro de 2018 na revista Environmental Research Letters argumenta a favor de estratégias que promovam a troca dos fogões que utilizam biomassa (lenha ou carvão) por fogões a gás liquefeito de petróleo (GLP). O trabalho foi escrito pelo físico José Goldemberg, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da FAPESP, e pelos pesquisadores Javier Martinez-Gomez, da Universidade Internacional Sek, Equador; Ambuj Sagar, do Instituto Indiano de Tecnologia Delhi; e Kirk Smith, da Universidade da Califórnia em Berkeley, Estados Unidos. Nele, os autores sugerem que essa troca seria uma etapa intermediária, que precederia o uso de fogões elétricos ou abastecidos com energia renovável. “Propomos um prêmio global de inovação como forma de motivar quem possa desenvolver um fogão para as cozinhas das casas que não seja poluidor e seja robusto e acessível”, escrevem. No Brasil, os subsídios governamentais para incentivar o uso de GLP começaram em 1973 e cessaram em 2000. Em consequência dessa ação, nessas três décadas, o uso de lenha para cozinhar caiu 65%, de acordo com os autores do estudo (ver gráfico abaixo). Em 2014, menos de 10 milhões de brasileiros, principalmente habitantes das áreas rurais, usavam madeira para abastecer os fogões. Na Índia, em consequência de um programa coordenado pelo governo e por empresas de petróleo, de 2015 a 2017, cerca de 10 milhões de habitantes abandonaram os fogões a lenha e começaram a usar GLP. Estima-se que, no mundo, 2,7 bilhões de pessoas (um em cada três habitantes) ainda preparem seus alimentos em fogões a lenha ou carvão, o que aumenta o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares e contribui para a liberação de gases de efeito estufa na atmosfera.